...e o que me faz (fez) permanecer desperto desse transe (trânsito) em vive um (o) mundo imerso em banalidades, foi (é) a consciência de que não há nada no mundo que seja irrelevante.
Ainda que mesmo as estrelas e os possíveis deuses acima delas sejam efêmeros...
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terça-feira, 23 de setembro de 2014
sexta-feira, 12 de setembro de 2014
We are from...
Mulheres (e derivativos) são de Vênus.
Homens (e adjacentes) são de Marte.
Já eu e minhas contradições somos de algum lugar em Plutão (que ora é planeta ora não é, mas segue girando indiferente as indiferenças alheias)
Como diabos viemos todos parar no quintal da terra?
terça-feira, 9 de setembro de 2014
Aos Gatos que guerreavam em dança mortal no teto do mundo...
Enquanto
eu durmo um sono-insone-entre-sonâmbulo, há gatos brigando por sobre o telhado,
por sobre a cabeceira dos meus pesadelos.
E
me perco raciocinando, tentado sondar o que só um delírio genuíno me
revelaria.
Em
algum lugar em Tikrit um sujeito sua frio e reza enquanto prende explosivos ao
corpo.
Em
algum lugar em Bangladesh alguém olha um copo vazio e se sente cheio de vazio
enquanto enche o copo novamente.
Em
algum lugar em Manaus alguém tentava apagar lembranças queimando fotografias
antigas e agora tenta apagar as chamas com que tentava apagar as lembranças.
(vai ter cicatrizes para lembrá-lo de qundo tentou esquecer)
(vai ter cicatrizes para lembrá-lo de qundo tentou esquecer)
Em
Porto Alegre alguém usa giz para riscar versos na parede de uma cela, porque
lhe tiraram a caneta com que matou outro presidiário.
Em
algum lugar a três ou trinta anos daqui, alguém mata mais um pouco da sua
inocência olhando para uma tela onde algo indescritível se desenha.
Em
Belo Horizonte, por sobre a cabeceira dos meus pesadelos gatos brigam num balé
furioso de cio e violência.
Eu
sonho com algo magnífico, mas é mais um fantasma furtivo do que eu não vou me
lembrar amanhã.
Pensei
de modo subliminar que haveria jeito supraliminar de ser um homem, mas já está
dando tanto trabalho ser humano, que, sob pena de que me olhe novamente com
esse seu olhar transparente, hoje vou me deixar escorregar para dentro do seu
desgosto.
Desculpe,
mas no balcão da padaria não tinha nem um pouco de Eternidade a venda (Eu
perguntei. Juro!).
Perfeição
também estava em falta, então contentei-me com bolinhos de avelã...
E
não, não foi tentativa de suicídio.
Eu
só me cortei para verificar se realmente eu era feito de gelo e de ouro, tal
como me dizias, ainda que eu soubesse que não sou, porque me barbeio todos os
dias e o rei Midas não era meu tetravô.
Acho
que terei de sangrar, mas me esforçarei para não sujar os tapetes da sala e do
mundo e da nossa vaidade.
Amanhã,
quem sabe você deixe de desejar que eu fosse feito do mármore daquela estátua
mergulhada em algum lugar do mar Egeu...?
Fonte da imagem:http://hqscreen.com/
domingo, 24 de agosto de 2014
Algo a se lembrar para ter motivos (para o que quer que sejam motivos....)
"O impossível não é uma limitação.
É um convite..."
quarta-feira, 30 de julho de 2014
Você Tem de Entender Que a Chama Ama o Pavio e a Cera, Mas Tem Pouca Consideração Pelas Asas da Mariposa
Há um garoto seguindo meus
passos. Eu realmente não me lembro de ele ser tão prudente.
Tem o cuidado de estar à
mesma distância que mantenho do velho cansado
que está sempre a minha
frente, não importa onde eu olhe e que e quantas esquinas eu vire.
Não fosse isso, eu o
espantaria a pedradas, com a mesma impaciência com que me mira aquele velho
cansado, quando o vermelho dos nossos olhos se cruza...
Um dia pretendo virar uma
esquina dessas sem dar comigo mesmo pretendendo me desfazer desse desejo de
virar esquinas.
Ontem à noite, da porta da
rua até o quarto, fui deixando pelo chão da casa, sapatos, meias, roupas e
restos de desejos. Quando o resto de mim chegou à cama, já não havia muito para
caber em um pijama.
Se eu usasse pijamas...
O que me aborrece de
verdade, por debaixo do som da chuva desabando no telhado, é pensar que aquele
garoto que fui, não tem nem quinze minutos deixei de ser. É recente demais para
que eu me desvencilhe dessa sensação de infância e fragilidade nos sentimentos
e no pensamento.
Não importa quantos banhos tome,
ainda estou fedendo a leite e a desamparo.
Queria olhar para aqueles
sentimentos estranhos como estranhos a mim e me sentir divorciado deles, e
esquecer como quem esquece um sonho qualquer quando a rotina do dia se assenta.
Algumas
vezes, (umas três por semestre) quase posso fingir pra mim mesmo que ainda me
resta alguns trocados no banco, uma fatia de pizza fria na geladeira (atrás do
tomate murcho e da garrafa azul de água que eu vivo esquecendo de me lembrar de
encher), algum amigo que ainda não tenha feito com que eu me sinta um calhorda e
um pouco de esperança de que alguém, em algum lugar no mundo, está neste
momento sonhando exatamente com o tipo de criatura que eu sou.
E que a cada dia que passa,
sou menos.
Se esse improvável sonhador
me encontrasse hoje, reconhecer-me-ia em meio aos restos de mim que nem mesmo
chega a encher um pijama (se eu usasse pijamas)?
Acho até que ao menos hoje,
me contentaria com alguma reprise decente na tv a cabo, que pago pelo
privilégio de me entediar com a antiguidade das idéias novas.
Fonte da imagem:http://paintedpenguin.tumblr.com/post/68092583593/fragmented-figures-by-adam-martinakis
segunda-feira, 21 de julho de 2014
Discordando do Grande Machado de Assis
"Lágrimas não são argumentos...."
Dizia Machado.
E eu digo: Oh, mas são de uma eloquência de dar inveja a qualquer discurso!
Dizia Machado.
E eu digo: Oh, mas são de uma eloquência de dar inveja a qualquer discurso!
domingo, 6 de julho de 2014
Apresentação... Ou Um Exercício de Humanidade
Isso ia soar bem esquisito.
Fazer uma apresentação de mim (exigência para
participar de um site de literatura), como se eu fosse ao mesmo tempo um ponto e
guia turístico e tivesse de alistar dentre as minhas características algo que
valesse a pena uma visita. Lamentavelmente, sou uma criatura bastante vulgar,
no que tange a aparência física. Acho esquisitíssimo tirar e exibir fotografias
de mim, como se a minha cara fosse algum tipo de obra de arte que valesse a
pena ter na parede. Então, receio que quem me visite não vá ter um cartão postal
decente que enviar para os conterrâneos. Quero dizer, a estética que se dane,
porque eu já me irrito com o trabalho de ter de escolher dentre as roupas que
sou obrigado a comprar alguma que seja sóbria o bastante para que eu passe
despercebido e ou não assuste as velhinhas no ponto de ônibus a noite como a
promessa de um possível assalto ou coisa que o valha e nem dê a impressão de
que acabei de sair de um bloco carnavalesco.
Então, fotos em sites, nem pensar!
Porque diabos eu vou dar as pessoas que me
visitam o desprazer que me acomete todos os dias pela manhã ao olhar para a
minha cara cansada?
Toda vez que faço a barba e tenho de suportar o
espelho olhando de volta, olho e penso se a imagem daqueles olhos vermelhos e
nariz pontudo ficariam bem numa parede qualquer de uma galeria de arte. O
pensamento só não me faz rir porque pela manhã meu humor não está dos melhores,
coisa que me torna ainda menos atraente ao olhar...
E olha que nem me considero realmente
"feio", mas é que essa pele que uso para me movimentar neste mundo
não me parece que deva ser o aspecto que eu vá valorizar em detrimento de
outros. Sempre tem um cara mais bonito, mais "fodão", mais
forte, mais rico, mais o diabo, então, que se dane isso que daqui ha uns anos vai
ser só poeira numa cova qualquer...
As pessoas geralmente quando se apresentam
adotam uma postura bastante estranha, descrevendo defeitos como qualidades,
passando-se por temíveis, atraentes ou mais agressivas do que na verdade
são.
Mulheres fatais super-fêmeas, ultraseguras e
coquetes até a ponta dos dedos ou o irritante oposto - mocinha-donzela-a-espera-de-uma-porcaria-de-príncipe-que-lhe-vá-salvar-de-sei-lá-o-quê.
Homens super-amantes, dotados de
capacidades sexuais dignas de um fauno (aqueles falastrões do tipo, “se te pego
de te viro do avesso...”), ou a-porcaria-de-príncipe-de-mentira-que-a-mocinha-das-linhas-de-cima-espera.
Afinal "onde é que há gente no mundo?"
Não neste em que vivemos, isso é certo...
Um mundo maravilhoso de clichês, de gente
clichê, de pensamentos prontos e ou previsivelmente suaves ou previsivelmente
agressivos, ou previsivelmente previsíveis...
Existe sempre "a coisa certa" a ser
dita.
Diga, e todos vão amar a pessoa "maravilhosa" que você é.
O fato de "a coisa certa" quase nunca
ser verdade ou coisa sincera é de somenos importância.
O que importa é que te amem na mentira, que
talvez (se você para pra pensar) seja tão pesado quanto ser
odiado na verdade.
Mas todo mundo se protege do desamor dos
outros...
Uns exageram suas “qualidades” mais
desimportantes e outros o fazem com os defeitos de mesma ordem. Já vi gente,
(muita gente aliás) se dizendo “louca” (como se isso fosse alguma vantagem,
como como se alguém que fosse realmente 'louco' se visse como tal e não visse
no inverso, que louco é o mundo).
Na maioria das vezes essas pessoas
unicamente se valiam da suposição de sua loucura para acobertar uma estranheza
(que contraditoriamente é bem normalzinha, por que da pele pra fora todos no
mundo nos são estranhos), como desculpa para sua inconstância, para não
formarem laços (como se apenas eles ansiassem por uma vida não- simbiótica),
para justificar as feridas que sua singularidade causa naqueles que os amam
(como fosse possível viver sem ferir os outros).
Os falsos humildes são ainda piores do que os
assumidamente arrogantes, com a diferença que estes últimos são
engraçadíssimos, enquanto os primeiros são maçantes ao cubo!
Eu penso que ninguém se apresenta como um ser
humano, simples, inconstante, cheio de medo e de duvidas simplesmente porque
ninguém nos ensina a ser gente, (humana e falível gente) e de outra parte,
somos ensinados a nunca pôr a nu diante dos nossos irmãos da confraria humana,
que somos tal como eles. Mesmo porque, as pessoas em geral se sentem
desconfortáveis quando alguém se atreve a lhe lançar consciência adentro o peso
de sua humanidade como um espelho, onde podem mirar a própria.
Então, por consideração aos vossos brios,
permitam-me que me apresente adequadamente...
Eu sou uma semi-divindade, cavalheiros!
Eu sou um homem maravilhoso, virtuoso, forte,
inteligente, cheio de convicção e portador de uma força e fé inabaláveis.
Nunca oscilo, nunca tenho um momento de dúvida e
não sei o que é fragilidade.
Do mesmíssimo modo que todos vocês, aliás...
Só falo um pouquinho de mentira.
E infelizmente, me falta a mágica capacidade de
acreditar nelas.
Nutro em secreto a ambição de um dia acreditar,
nas minhas e nas vossas...
Mas eu ainda não tive uma só ambição que não me
saísse pela culatra.
Algumas vezes, naquelas horas em que uma
sensação tão castanha quanto a minha pele se apossa de mim, fico me perguntando
se há algo mais digno de ser ambicionado do que ser simplesmente um ser humano,
para fora de qualquer rótulo.
A verdade é que talvez não existam verdades, a
não ser a verdade do pó, das coisas ínfimas que no conjunto aparentam as coisas
grandiosa em que nossa vaidade se aferra...
Mas tudo se constitui de fina poeira que o vento
leva e a mim parece que um homem só tolera a ideia de ser humano porque nesta
ideia está implícita a sedutora ideia de ser o embrião de um deus.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
Do que eu não consigo definir...
O que paralisa e por vezes cala a minha grande necessidade de dizer algo
não é a falta de tema ou uma inspiração escassa.
Dá-se o oposto, e quase sempre, me vem um vagalhão de
pensamentos em manada, num fluxo enlouquecido em via expressa mental, tendo
como meio de manifestação no mundo o fino gargalo dos meus dedos neste teclado.
Talvez me faltem as ferramentas apropriadas, como por vezes
me falta a compreensão necessária...
É só, que se eu tivesse cinzel e mármore ou pincel e tinta e
tela, talvez me fosse possível fazer o impossível e desenhar em pedra ou em
tela o indefínivel.
Não é muito comum encontrar o impossível dentro da
possibilidade e caso ocorra, quem detem os meios de registrar, como quer que
seja, isso, essa sensação de impossível que exige ter forma além do conteúdo?
Eu não tenho cinzel, tinta ou pincel e também não sei
cantar, dançar ou emprestar a esse mundo qualquer forma de beleza que não sejam
palavras. Pelo menos era o que eu pensava, mas agora as palavras me traem e me
faltam, quando delas preciso.
Mas existem... Momentos, fragmentos de impossível, de
eternidade, momentos nos quais somos acometidos pelo desejo de neles existirmos
para sempre, sem passado, sem futuro, sem desejo ou anseio do que seja ou
esteja além daquele momento de nirvana em que somos e temos tudo...
Isso é o indefinível acima do qualquer forma de arte possa
expressar...
terça-feira, 10 de junho de 2014
Raciologicando no B612
E antes que eu tire minha dor do caminho, para que você passe
com seu sorriso infernal, me deixe te contar uma conclusão:
Sementes de
rosa são muito mais perigosas do que as de Baobás.
As ultimas só te partem o
planeta, mas, diabos, há muitos planetas no céu, mas só um coração dentro de cada peito.
E se o sol não pode viver longe (ou perto) da lua eu não sei...
Mas sei que cometi erros demais emaranhando a minha alma por aí .
E que no fim das contas, flores e espinhos acabam por ferir-se mutuamente.
Mas quem é que entende a razão dos espinhos?
sexta-feira, 25 de abril de 2014
Para você...
...que como eu sofre da infeliz característica de ficar engraçado quando com raiva, uma advertência:
A imbecilidade alheia é (e cresce) proporcional à sua capacidade de se irritar.
Especialmente quando - mãe das contradições - os infelizes portadores dessa patologia espiritual (no caso, a imbecilidade), têm percepção dessa correlação, embora não tenham, aparentemente, de mais coisa alguma.
A imbecilidade alheia é (e cresce) proporcional à sua capacidade de se irritar.
Especialmente quando - mãe das contradições - os infelizes portadores dessa patologia espiritual (no caso, a imbecilidade), têm percepção dessa correlação, embora não tenham, aparentemente, de mais coisa alguma.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
O aceno de Náucrete
Você pode cantar sobre mim, se o quiser...
Eu canto sobre guerras e sobre dias alegres
E sobre flores e amores e a fragilidade das coisas...
Sobre sangue derramado e lascívia sobre a lua...
Eu canto sobre coisas que se arrastam sob a luz
E sobre o que cavalga acima da escuridão...
Mas que sei eu dessas coisas que canto,
senão que canto sobre o que não sei?
O que você não sabe,
É que eu conhecia o poder do sol sobre minhas asas de cera.
O que importa é voar, criança.
Em que direção é só um detalhe que preocupa quem não voa.
Eu?
Sou ilha de não saber nada...
Um amontoado de ignorância cercado por incompreensão por todos os lados.
E estando náufrago sem nau ou porto de mim,
Não compreendo esse seu Ser sendo o que não compreendo.
Mas acabei de fugir de um labirinto para dentro de outro.
Uma esquina errada que tomei depois da terceira nuvem...
Mas tão logo me liberte o mistério do meu Ser Humano
E me livre o fascínio do Eu,
Haverei de compreender o seu Ser Mulher
Para talvez começar a entender também o meu Ser Homem.
E é realmente belo que te digas louca,
Mas, sabe, isso deixa de ser virtude quando te gabas...
Eu canto sobre guerras e sobre dias alegres
E sobre flores e amores e a fragilidade das coisas...
Sobre sangue derramado e lascívia sobre a lua...
Eu canto sobre coisas que se arrastam sob a luz
E sobre o que cavalga acima da escuridão...
Mas que sei eu dessas coisas que canto,
senão que canto sobre o que não sei?
O que você não sabe,
É que eu conhecia o poder do sol sobre minhas asas de cera.
O que importa é voar, criança.
Em que direção é só um detalhe que preocupa quem não voa.
Eu?
Sou ilha de não saber nada...
Um amontoado de ignorância cercado por incompreensão por todos os lados.
E estando náufrago sem nau ou porto de mim,
Não compreendo esse seu Ser sendo o que não compreendo.
Mas acabei de fugir de um labirinto para dentro de outro.
Uma esquina errada que tomei depois da terceira nuvem...
Mas tão logo me liberte o mistério do meu Ser Humano
E me livre o fascínio do Eu,
Haverei de compreender o seu Ser Mulher
Para talvez começar a entender também o meu Ser Homem.
E é realmente belo que te digas louca,
Mas, sabe, isso deixa de ser virtude quando te gabas...
quinta-feira, 3 de abril de 2014
SobRE medidas
Mesmo que o infinito esteja alojado na cabeça de um alfinete, onde dançam os anjos vadios...
Dizem que a noite é longa e a vida é curta ( e eu querendo muito saber com que diabos de régua as mediram), mas isso com frequência me remete a questão fundamental, que acabou virando um juízo de valor entre pessimistas (os chatos) e otimistas (os iludidos), se o copo afinal está meio cheio ou meio vazio.
E eu achando que qualquer copo está meio cheio de vazio e o vazio tem fome também da metade que não está...
E olhe que eu, que nem mesmo sei ao certo como ajustar o sinal da tv a cabo, ou pra que existem tantos widgets nos aparelhos quando usamos apenas um ou dois ou nenhum e não compreendo outras pequenas miudezas quotidianas que se configuram mistérios para mim; justo eu, tento sondar o gigantismo do nada na metade vazia de um copo.
Na minha balança psicológica, a incompreensão das coisas pesa tanto quanto a consciência dessa incompreensão. E é sem fronteira visível, pelo menos, desse ponto cardinal de onde tento me lançar às estrelas (trilhões de kms acima) enquanto estou indo cada vez mais para baixo (cerca de 2,4x1x1,70m em minha viagem final).
Estou em temporada de caça e abate de Verdades Absolutas, mas creio que minha parede vai ficar limpa de troféus, porque verdades são esquivas e eu tenho péssima mira...
Mas hoje, e talvez apenas hoje, eu gostaria de compreender e ser capaz de desmistificar a antiga verdade de que a mariposa não tem escolha a não ser dançar perigosa e apaixonadamente em torno da voluptuosidade da chama...
domingo, 30 de março de 2014
Dos restos dos meus diálogos oníricos
...e mesmo que a gente não venha a este mundo aparelhado com uma tecla f5, é necessária atualização constante do que nós somos e isso implica longos auto-diálogos para dentro. Então conhece a si mesmo para tornar-se o que você é.
Isso requer mudança, porque sem mudança há a extinção do que somos, porque a moeda de troca pela aceitação do mundo e (pasme) até de nós mesmos, é a nossa identidade. Não a cristalize, pois, em modelos.
O que não muda, desaparece e você tem sim de mudar constantemente para estar cada vez mais parecido consigo mesmo. "Só o mutável pode perdurar", lembra?
..e antes que o despertador grite para que você vá (ainda) mal aparelhado para a batalha do mundo, me deixe dividir com você uma quase-verdade que troquei por uma imperfeição de que gostava muito:
O Amor tal como nos é ensinado não existe. O que existe é desejo de posse.
É só pensar que se você diz amar algo ou alguém, ficará apavorado com a ideia de ter de partilhar com outro esse objeto do seu amor.
Talvez até o faça, por razões que só o inferno compreende, mas não sem uma quota considerável de sofrimento.
Houvesse um mandamento contra essa idéia, seria: "Não chamarás 'amor' o teu desejo de exclusividade emocional ou sexual sobre nada ou ninguém".
Não é um pensamento confortável, mas talvez te desperte mais eficientemente do que as xícaras de café amargo e o banho frio.
O único amor real, é o que se tem pelas ideias, porque essas, você ama e faz questão de partilhar e de soprar ao vento como dentes-de-leão.
sábado, 29 de março de 2014
Da minha coleção
Tem gente que coleciona selos, moedas, namoradas...
Eu coleciono defeitos.
Todo dia esbarro em um pelas esquinas e como o adulo e lhe faço carícias, o bandidinho me segue até em casa e daí fica difícil me livrar do bicho.
Então minha coleção aumenta exponencialmente, enquanto meu estoque de amigos diminui na mesma proporção.
Hora ou outra tenho de fazer um puxadinho moral para colocar em ordem essa coleção e para tanto, terei de demolir um cômodo ou dois onde tenho alojado qualidades mentirosas.
É um inferno, porque a unica coisa que tenho para amar em mim mesmo atualmente são meus defeitos, porque eles são muito mais genuínos do que as minhas qualidades reais ou imaginárias, então fica difícil desfazer-me de um item dessa coleção, mesmo os que tenho repetidos e que poderia trocar num escambo de más qualidades.
Quer dizer, a gente até pode mentir para os outros ou para nós mesmos, sobre as próprias virtudes e embora as pessoas possam ter ilusões a seu respeito, você é uma pessoa bem desafortunada se tiver uma repulsa natural pelas auto-mentiras.
Se eu fosse um sujeito esperto, colecionaria selos, , namorada, moedas ou falsas qualidades.
São coisas muito úteis e as pessoas em geral gostam bastante de quem ostenta um bom estoque dessas coisas.
Mas quem disse que eu sou esperto?
Sei lá se alguém disse.
Foi uma pergunta meramente retórica.
Mas se alguém tivesse realmente dito, estaria falando, é certo, de uma das poucas falsas qualidades minhas que pretendo desalojar para ampliar minha coleção de defeitos genuínos.
---
Ah e só pra constar, não, não sou adepto da misoginia ou da misandria.
Sou misantropo mesmo e minha birra de gente (que oscila para um absoluto fascínio e simpatia) não conhece e não reconhece gênero.
sexta-feira, 21 de março de 2014
Um momento de chauvanismo místico
Apesar de ser um incrédulo fanático e apóstata de tudo o que é "bonitinho" e esteticamente doce, sou, penso, um sujeito de muita fé.
Tenho fé na minha descrença e acredito que muita falta me faz o dom divino de ter fé.
No que quer que seja.
Por exemplo, contrariando a todo o pensamento corrente (ao menos no ocidente que tem a pretensão de ter a palavra ultima sobre tudo), acredito piamente que Deus não é Ele, mas Ela.
E olha que eu nem acredito em Deus.
Não mais do que não acredito em mim mesmo e nas minhas descrenças.
E olha que eu nem acredito em Deus.
Não mais do que não acredito em mim mesmo e nas minhas descrenças.
Eu nunca entendi essa coisa de "deus-pai", como se o ser superior tivesse testículos e gametas para preenchê-los e (já fui até aqui em minhas heresias sem que um raio me caísse na cabeça, então, vou me permitir ir adiante!) fecundasse a criação como um homem "fecunda" uma mulher.
A lógica me diz que se deus existe, ele só pode ser mulher.
E não é porque o ato de gerar seja um atributo tipicamente feminino ou porque o universo seja maravilhosamente caótico e cheio de minúcias, porque estou convencido de que a unica coisa que um homem faz melhor do que uma mulher é urinar em pé (embora eu saiba de umas que se tem aprimorado nesta técnica e de uns que nunca a aprenderam corretamente, como se verifica nas tampas de sanitários) e um deus macho pode ser igualmente capaz de ser confuso e minucioso como o é aquele(a) ser que talvez esteja neste momento preparando um relâmpago destinado a me abater (é, eu me acho sim! Na verdade, não me acho. Me tenho certeza, ainda que duvide dela!).
E nem adiantaria enumerar os aspectos positivos e negativos da divindade, porque neste sentido, tudo o que se diz de uma mulher pode igualmente ser dito de um homem, embora em instâncias diferentes.
Mas o que me convence, a mim que não me permito convencer de nada, de que Deus é fêmea, é por uma razão muito pessoal:
E nunca me dei bem com as mulheres, do mesmo modo que não me dou bem com Deus(a).
Temos, penso, uma mútua incompreensão, sua lógica é confusa para mim e a minha confusão não se acerta com Sua lógica, tenho um desejo muito profundo de acreditar nele(a), papagueio um monte de asneiras no afã de chamar sua atenção (ainda que seja um raio como castigo pelas heresias), acho que a existência dele(a) é a coisa mais necessária neste universo (embora as evidências A MIM mostrem que no céu só tem estrelas e aliens e vácuo), amo (a idéia de) Deus(a), mas Ele(a) sequer tem idéia do que eu amo ou odeio.
Deus(a) me ignora completamente (apesar do discurso de que Ele[a] tem um plano qualquer que me envolva pessoalmente, trata-se de plano obscuro demais e muito mais da cabeça dos que dizem ser Seus porta vozes do que o que a realidade das coisa me tem revelado) e é a mais maravilhosa musa a me inspirar a mais profunda angustia existencial.
Dificilmente um macho, seja físico ou metafísico, seria capaz de inspirar (ao menos a mim) tanto fascínio, confusão, pavor e uma indisfarçável revolta pelo seu aparente desdém.
Deus não gosta de mim embora eu o ame e não acredite nele.
Logo Deus é mulher.
Postagem estranha para o mês de março, mas eu sou estranho e acho que por hoje vou me permitir abrir mão do compromisso de tentar aparentar normalidade ou bom mocismo.
Não que seja necessário esclarecer, mas a postagem acima, embora seja expressão da minha verdade particular (logo frágil e passível de mudança nos próximos segundos) é uma descarada provocação a uma amiga; criatura maravilhosa, visceral em sua genialidade, tola até a raiz dos cabelos quando se irrita, uma feminista roxa, ateia fanática, pensadora vitoriosa e o mais implacável inimigo da minha irascibilidade imbecil.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
E você...
...até pode pretender saber qualquer coisa sobre o amor. Mas eu ainda acho que feliz era Lili, que não amava ninguém... E J. Pinto Fernandes, que veio por fora da pista e ganhou a corrida.
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Obra Maravilhosa de Fernando Esteves Pinto...
Queres existir nesta folha
do tempo que viaja dentro da minha mente?
Vou pôr um livro nas tuas mãos enquanto te despes.
Vou pôr um livro nas tuas mãos enquanto te despes.
Não quero que me
ames se pensas que o amor é para sempre.
Tenho uma idéia da minha vida que nem sequer é verdadeira.
Tenho uma idéia da minha vida que nem sequer é verdadeira.
Uma história de amor.
E se eu te dissesse que amamos sempre pelas razões erradas?
Os erros eternos
fazem grandes histórias de amor.
Não tenho uma imagem do teu sorriso.
Não tenho um desenho da tua boca.
Desejas amar-me em que sentido?
Não tenho um desenho da tua boca.
Desejas amar-me em que sentido?
Que tempo queres que exista para se dar o encontro?
Um nevoeiro corporal em tudo
o que nos espera.
Tenho as tuas palavras, mas esvaziei-as da emoção que traziam.
Tenho as tuas palavras, mas esvaziei-as da emoção que traziam.
No fundo és uma luz no desejo de não existires.
E eu escrevo este tempo perdido no corpo que procuro.
Se eu deixasse de pensar e escrever, eu sei, tu não sentirias medo.
E eu escrevo este tempo perdido no corpo que procuro.
Se eu deixasse de pensar e escrever, eu sei, tu não sentirias medo.
O espetáculo
burlesco que vai à minha cabeça.
Esta manhã vi teu rosto em todas as
mulheres com quem me cruzei na rua.
É uma espécie de escrita em que vou
abandonando pequenos pensamentos que não acho interessante.
No fim fiquei sem nada, mulher nua com um livro a ser lido.
Tu amas o tempo e eu não vivo no teu tempo.
No fim fiquei sem nada, mulher nua com um livro a ser lido.
Tu amas o tempo e eu não vivo no teu tempo.
Tu amas as minhas
palavras e eu não sou as palavras que escrevo.
O amor e a literatura são parecidos na mentira. E é sempre triste não amar alguém porque se tem medo da mentira.
O amor e a literatura são parecidos na mentira. E é sempre triste não amar alguém porque se tem medo da mentira.
Tenho saudades dos
teus dias passados longe da minha vida, é uma verdade. Se isso não chega para
se sentir o amor, nunca poderei amar a tua liberdade.
Mulher no tempo com livro
aberto no coração nu.
Um dia encontrar-te-ei dentro duma frase que fale de amor.
Um dia encontrar-te-ei dentro duma frase que fale de amor.
Fernando Esteves Pinto
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
Raciologicando à quinta potência
(...)
... e depois de considerar o quanto pode caber no espaço ocupado por parênteses e três pontos, me convenço finalmente de que a linguagem, contraditoriamente, é talvez o maior entrave à nossa comunicação.
No espaço por entre os parênteses acima, estava um longo monólogo carregado de uma emotividade ridícula que me encheu de auto-desprezo depois de ler o que digitei. Fica pra outra hora, porque acho que já espezirritei-me a mim mesmo em demasia por essa semana (e talvez por toda uma encarnação)...
Penso que é até possível, com os meios adequados e ainda ignorados, ensinar um animal ou vegetal e até um mineral (por que não?) a falar.
Mas um homem, tendo-o aprendido a falar, lamentavelmente jamais aprenderá a calar a maldita boca, enquanto se importar com esses universos caóticos chamados "pessoas" que circundam a sua órbita e meio que parasitam seu parco estoque de auto-amor, mais do que consigo mesmo e com este estoque.
Isso é lastimável, embora não pareça fazer muito sentido.
Mas se posso afirmar (e ainda que eu não pudesse, afirmaria assim mesmo), considero que somos talvez muito afortunados pelo fato de sermos capazes de odiar, tão doida e profundamente quanto amamos.
segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014
Anacrônico
Chame a si mesmo do que
quiser,
(até
porque, quando te chamas, nunca respondes!)
Nomes são palavras "e os erros são teus"
Mas
você é um profeta,
Quando
faz poesia,
Poeta,
Quando
vem anunciar para ouvidos moucos o absurdo das pequenas vilezas dos homens,
Sábio,
quando compõe odes a sua ignorância,
Tolo,
quando pensa estar pensando que sabe o que pensa sem o saber.
Você
pode estar confuso, mas não o bastante para andar sem rumo,
E há
tantos caminhos a escolher, que não é difícil se perder por entre
escolhas.
Você
é o portador de uma estranha verdade:
- Estar perdido é o modo de esbarrar consigo mesmo numa esquina qualquer.
E
afinal este não é um mundo alucinado?
Você
pode ter certezas, mas fatalmente irá desconfiar delas, porque é a sua natureza
ir contra a sua natureza de ser contra a sua natureza (e por aí vai...)
Mas
isso que você faz,
Isso
que você é,
É
uma tentativa comovente criança,
De
dar a si mesmo o que tão fartamente dá a outros sem receber,
Um
meio de amar a si mesmo, ainda que através do amor dos outros,
E de
ver a si mesmo, mesmo que com olhos que não te enxergam...
terça-feira, 4 de fevereiro de 2014
Considerações antes de uma capitulação...
Caso
alguém me leve a mal,
Penso e
advirto
Que me
divirto imenso
Escrevendo
isto.
(A rima é
proposital)
E quem haveria de pensar em tal coisa...?
A verdade, e eu me lembro bem, que fomos
meio lubridiados no advento do ano 2000, ano que segundo os afeitos ao
apocalipse, o mundo acabaria em fogo e enxofre. “Mil passará, dois não chegará
e blá-blá-blá...”
E nós ainda estamos aqui.
Mas, claro, nosso fascínio pela nossa
destruição não cede mesmo quando o Armagedon não venha nos próximos cinco
minutos, como quer a nossa fé. O mundo não foi pras cucuias. Deus nos
decepcionou e não nos mandou fogo dos céus...
Mas continuamos a espera.
O que eu acho engraçado, se é que isso tem
graça ou talvez seja uma “dês” (apenas para poupar os olhos e mentes mais
sensíveis as sutilezas do nosso vocabulário), é que um dos personagens do fim
do mundo já deu as caras há tempos e parece que ninguém se deu conta. Aqui está
a parte engraçada: Ficamos todos à espera que a tal “besta do apocalipse”
surgisse entre os grandes vultos da humanidade. Uns pensavam que seria um líder
político e outros tinham certeza de que seria um guia religioso.
Quem imaginaria que o dito cujo fosse um
nerd dos confins de Westchester?
Esqueçam de Lex Luthor, Darth Vader ou o
Coringa. O grande supervilão da humanidade é o fundador do facebook, mas
diferente destes três primeiros, ele realmente conseguiu “dominar o mundo”.
Hoje em dia ninguém mais existe de fato
fora do “face”.
Não há comunicação fora dali.
Ninguém te manda e-mail, carta ou mesmo
telefona.
Aquelas fotos de família? “Postei ontem no
face.”
O trabalho de faculdade? “Ta no face desde de
manhã! Em que mundo você vive?”
“Te deixei um recado no face.” “Eu não te
encontro no face?!” “Qual é o seu face?”
Da ultima vez em que acessei o facebook,
foi quando das manifestações pelo Brasil no ano passado (ao final das quais
mais uma vez perdemos a oportunidade de fazer história em vez de vivê-la) e eu
precisava saber onde e quando as pessoas se reuniriam. Foi útil, mas atualmente
esse negócio anda mais ou menos como sopa de quartel: cem gramas de carne para
quatro litros de água!
O mundo real não existe mais. E é nesse mundo
que ainda teimo em viver. O meu denuncismo talvez seja uma teimosia quixotesca,
talvez um prazer advindo da rebeldia ou simplesmente uma tendência a andar na
direção contrária da multidão. Mas o fato é que ninguém mais “compra ou vende”
fora do facebook.
Até então eu tenho me virado razoavelmente
bem sem ele, mais o cerco se aperta e acontece que enquanto eu vivo e convivo
em sociedade, preciso comerciar. Preciso comprar e preciso vender, logo, tenho
de ter a tal marca do face, porque encontro esse logotipo “F” (coincidentemente,
a 6ª letra do alfabeto. Número repleto de significados sinistros...)em tudo que
é canto. Até em sites governamentais!
“Curta a porcaria da nossa página...”
O meu problema é que tenho preguiça em
militar por qualquer coisa. Ficar praguejando contra as tendências da
humanidade cansa o espírito já exausto de lutas inúteis, pra não falar que cansa
os ouvidos alheios. O virtual superou o real (que já era confuso e duvidoso) e
agora, aparentemente não temos mais carne e sangue, a não ser em situações
especiais e fomos convertidos em bits e bytes, em álbuns de fotos que nada
dizem e postagens sobre banalidades ou tragédias pessoais.
É magnífica a capacidade humana para
transformar ferramentas potencialmente úteis em coisas perniciosas e estou pra
ver coisa mais nefasta e comprometedora da privacidade do que o tal facebook.
E olha que eu já implicava com o orkut, msn
(alguém se lembra?)...
E como o “funk” (outra praga que veio pra ficar)
substituiu a lambada, já me arrepio pensando no que vai substituir o “face”.
Quem pode me explicar o porquê de um ser
humano tirar uma fotografia de um prato de batatas (engorduradas e
aparentemente fritas em óleo muitas vezes utilizado, a julgar pelos fragmentos
escuros nas fritas) e postar essa porcaria numa rede social?
E me explica, por favor, os mais de trinta
comentários do tipo: “Hum...Tô aí!” “Que delícia!” “Eu queeeeroooo!”, e por aí
vai!?
E vai olhando;
a pessoa posta, essencialmente, piadas (que
já foram compartilhadas numa centena de outros perfis), fotos suas em poses
repetidas (fazendo um bico ridículo ou com os dedos em v e L) ou em ocasiões que o bom senso diriam ser
intimas (pra não dizer constrangedoras), farpas para supostos inimigos(as) (que
aparentemente não tem coisa pra fazer além de fuçar o perfil de quem lhe detesta),
trechos adocicados de poemas, mensagens religiosas do tipo “Jesus te ama”
intercaladas com coisas como “Batom de periguete é superbonder” e a lista segue.
Lamento, porém, que essa figura não se
trate de exceção, mas representa uma grande maioria barulhenta.
Eu juro, nunca vou compreender as pessoas.
Não passa semana em que alguém não me venha
dizer que teve um problema qualquer no “face”. É inacreditável, porém, como as
pessoas se expõem ali e continuam a se expor não obstante os problemas que por
ventura tenham.
Mas eu dizia que preciso comerciar. Preciso
comprar e preciso viver e contrariando as minhas esperanças, essa rede social
aparentemente veio pra ficar, aliando-se ao telefone celular para se tornar
mais uma porcaria de cadeia sem a qual não é possível existir em sociedade e
ter ou manter contatos.
Então, é sem constrangimento (até porque dá
muito trabalho ficar constrangido) que reconheço que estou em vias de
capitular.
Estou bem com isso.
Já fui um sujeito de convicções, até o dia
em que percebi que é melhor não estar convencido de nada, porque obstinação é raiz
de carvalho em noite de tormenta.
E como não sou um deus e nem um animal, não
posso, infelizmente, viver só, daí enfiar o rabo entre as pernas e colocar-me
sob o jugo de mais essa cadeia.
Paciência...
Vai ver, são apenas moinhos de vento
mesmo...
“Se te é
impossível viver só, nasceste escravo”.
quarta-feira, 29 de janeiro de 2014
De (s) esperança
Esperança é um urubu pintado de verde.
O diabo é que a essa porcaria de pássaro estranho calhou de cismar que meu ombro é seu poleiro e eu persigo um meio qualquer de parar de perseguir o que quer que seja que não me permita dormir...
O diabo é que a essa porcaria de pássaro estranho calhou de cismar que meu ombro é seu poleiro e eu persigo um meio qualquer de parar de perseguir o que quer que seja que não me permita dormir...
segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Do que é melhor não saber
"Só sei que nada sei..."
Mas a pressuposição da ignorância
não chega a ser um conforto, porque, mãe das contradições, a pressuposição
enseja um “saber de algo” que nega a si mesmo. As autofagias desses raciocínios
não chegam a melhorar a minha gastrite que faz estágio para úlcera que faz
estágio para coisa pior no meu estômago e eu tenho de reiterar, embora
preferisse não saber, que bênção não é a ignorância, mas a ignorância da
própria ignorância.
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
Sensações de um Sonâmbulo Desperto
É uma manhã como
todas as outras.
Uma primeira
manhã como todas as ultimas. O esquisito, para início de conversa, é que escovo
os dentes de maneira metódica, todas as noites antes de dormir. Depois
enxaguante com o desenho de um cara queixudo no rótulo e mais um pouco de água.
Ainda assim, acordo com a boca amarga, como se tivesse bebido rum ou absinto e
como se tivesse passado a noite em um festim nojento na lixeira.
Isso pra não
falar do corpo doendo, a cabeça latejando e a sensação de que elefantes me
usaram como pista de dança por mais uma noite e que fui sparring em algum sonho
perdido do Muhamad Ali...
Antes de ir
tirar a sensação de esgoto da boca e desenrijecer a máquina velha que é meu
corpo, tenho de me atualizar.
Me situar de
novo no mundo concreto e separar as sobras de sonhos que me enxameia a cabeça
como moscas em torno da lixeira que sinto no estômago; terminar diálogos que
tive nesses sonhos, experimentar partes do meu corpo para ter certeza de que
não vão se liquefazer ou coisa parecida e por fim decidir de vez se já acordei
mesmo ou se ainda estou vivendo uma daquelas outras mil e doze vidas, mais terríveis,
mais vívidas, mais sensíveis e mais preferíveis a essa em que acordo com lixo
no estômago e dores nos ossos.
Esse processo
não costuma demorar mais do que uns poucos minutos, mas nos últimos tempos
tenha percebido com o que me resta de senso crítico nesses momentos no limiar,
que tenho me demorado cada vez mais entre sonho e realidade.
E não chego a ter
certeza do quê é o quê.
Algumas vezes
isso me ocorre ao longo do dia, como num sonho lúcido invertido.
Então o
despertador berra uma irritante música que vivo jurando que vou mudar sem o
fazer e por fim decido que sou Eu. Espanto relutante as sobras de sonho a
contragosto e reitero escovação, enxaguante e mais água, apenas para minutos
depois sujar novamente dentes e espírito com café e as notícias do mundo nos
jornais da manhã.
Está escuro lá
fora e tento me recordar se na verdade já não é noite e eu tenha dormido de dia e por
algum motivo não me tenha lembrado.
Não.
É chuva.
O céu parece
comigo esta manhã: Negro, ameaçador, de mau humor e em vias de desabar.
“Bem-vindo ao clube, cara!”.
Se eu tivesse
bom senso não estaria zombando do céu em manhã de tempestade. Não me lembro o
que é bom senso.
Também não me
lembro de ter ligado a TV ou mesmo se deixei ligada quando dormi. Mas ela zumbe
uma musica qualquer que por motivo qualquer me chama a atenção.
“E a estrada
fica difícil, não sei o porquê...
A estrada é
longa, nós seguimos adiante
Tente se
divertir nesse meio tempo”
Garota com cara
anglo-saxâ e nome latino.
Bonita. O cara
abraçado com ela no vídeo também. Ao fundo tem uma bandeira americana tremulando
e a música não é de todo ruim. Mas o cenário é clichê demais.
Pelo modo como
se abraçam, percebo que definitivamente não sou um tipo romântico ou tenho uma
percepção um tanto torta do que é o amor, se é que a música fala realmente
disso.
Azar!
Tenho uma
percepção torta sobre quase tudo, inclusive sobre o que é percepção...
A menina no
vídeo parece estar nos seus melhores anos. Mas já tem tempo que não vejo um
sujeito com uma aparência mais junkie
life! Se esse vídeo tiver mais de
um ano, duvido que esse garoto ainda esteja vivo.
Mas é maldade
minha e talvez uma pontada de inveja, por eu ser tão saudável, por não fumar ou
ter tatuagens ou não ser capaz de arruinar o coração de alguém, como a letra da
canção dá a entender que o garoto de aparência doentia fez ou faz.
Desligo a TV e
olho pela janela. O céu está mais escuro. Embora já seja oito da manhã, as
luzes dos postes ainda estão ligadas lançando o amarelo do mercúrio em desafio
ao negror do céu.
Tem gente
passando apressada na calçada, como se chuva fosse ácido. E nem está chovendo
ainda. Sinto impulsos de gritar: É só água, caramba!
Mas quem disse
que consigo atender a impulsos?
São 8:32
agora...
Acho que eu
devia estar a caminho do trabalho ou coisa assim e só depois de tomar mais duas
ou três xícaras de café me decido por fim de que é domingo e não tenho que
sair.
É onde é que
essa gente vai apressada as oito da manhã de domingo?
Queria que todo
dia fosse domingo, menos as quartas, que é dia sessão de filmes estrangeiros
num charmoso cinema decadente ali pelos lados do Floresta.
Espera aí...
O cinema fechou
há anos. Virou uma Igreja eu acho.
E é para a
igreja lá da esquina que essa gente vai, com certeza.
Desliguei a TV
cedo demais.
Aos poucos me
recordo de que no dia anterior estava defenestrando com alguma alegria todos os
textos sobre psicologia que fui obrigado a ler nos últimos anos e em meio a
estes papeis dei com uns versinhos rimados que forjei há uns vinte anos.
Havia me
esquecido de que os havia escrito e bem poderia ter continuado neste
esquecimento.
Que coisa tola e
doce e idealista! E este era eu nestes versos.
Verdade seja
dita, tenho preguiça e um desdém enorme pelos versos que já escrevi em qualquer
época e que em uma vaidade entorpecida chamei de “poesia”.
É como quando se
é criança e pega-se um monte de remédios dos pais, temperos e mais qualquer
outra substância a mão e mistura-se, imaginando estar criando uma fórmula mágica.
Escrevo uma
coisa, acho-a maravilhosa e passo um curto tempo gozando a irreal e fugidia
sensação de que sei escrever.
Depois renovo a
minha convicção de que sou um tolo e defenestro meus escritos, com a mesma facilidade com
que gostaria de defenestrar a mim mesmo de mim.
Mas estes versos
em particular me irritam demasiado.
O caso é que
eles representam um Eu que já desapareceu de mim sem deixar saudades e sentir
na sintaxe deles o absurdo da minha (quero crer) antiga ingenuidade, deixa-me
um tanto encabulado, especialmente por me recordar de que àquela época, eu
teria defendido com unhas e dentes e um fervor apaixonado essas ideias de que
hoje me envergonho.
E eu era realmente
assim?
Pobre e tolo
Luiz...
Ocorreu-me um
dos meus trechos favoritos de Waking Life e fiz as contas: Vinte anos... Troquei
todas as células do meu corpo neste tempo e já não há mais nem um resquício
daquele garoto em mim.
Isso porém não
me consola nem um pouco e sobra-me a certeza de que, em geral, o
constrangimento que se sente quando topamos com algum vestígio de um Eu nosso
mais jovem é na verdade uma disfarçada culpa por termos decepcionado os anseios
daquela criança que fomos um dia.
É quase como se
disséssemos: “Desculpe garoto(a), mas eu fiz merda com todas as suas esperanças”.
Culpa sua,
menino!
Quem mandou ter
tão altas expectativas em relação a si e ao mundo?
Finalmente
começa a chover e uma garota passa na calçada.
Diferente dos
demais, ela não tem pressa e vai na direção contrária. Fuma e eu sinto inveja
dela e sentir inveja duas vezes numa só manhã me deixa ainda mais irritado.
Nas costas nuas
ela levava a tatuagem de uma fênix, a mais mal feita que já vi e por isso a
achei linda. Que direito essa menina tem de passar diante do meu mau humor como
um raio de sol naquelas nuvens escuras? (penso nisso e intimamente digo: "Mais versos dos quais me envergonhar amanhâ...")
A beleza das
mulheres é um tormento e um tormento a mais quando emoldurada em almas rebeldes
como aquela.
Deus, tem dias
que ser um homem é um saco!
Também é um saco
controlar emoções o tempo todo então enquanto rasgo meus antigos e rejeitados versos
dou livre rédea a minha inveja.
Sinto inveja do
menino que fui e do cigarro daquela menina, da igreja para onde as pessoas iam
apressadas em busca de salvação, do mundo de onde essa garota provavelmente
vinha com uma nova cota de pecados e do céu, que depois de muito ameaçar, desaba pesado sobre o mundo.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
De quando quase meti a colher
Praça de alimentação, Shopping Cidade às três da tarde.
Casal jovem.
Ele, cara bonitinho, como as pessoas entendem a beleza
masculina.
Sentaram bem perto de mim, brigando sei lá por qual motivo, mas
meio que ocuparam o banco em que eu estava sentado, me “convidando” a sair
dali. Mas como não chegaram a me solicitar polidamente e se permitiram me
ignorar, deixei-me ficar por minha vez, ignorando-os também.
Ou tentando pelo menos.
Brigavam.
Na verdade, era o garoto que gritava como um lunático, coisa
bastante desagradável em se tratando de um local público e ainda mais sentado a
centímetros de alguém que já estava lá e nada tinha a ver com a lide.
Mas, meu deus, esses “playboys” todos tem o mesmo cheiro! Cheiro
de sabonete, mas um cheiro nauseante, como se esses caras comessem uma dieta
qualquer que os fizessem suar uma murrinha esquisita...
Certo. Estava de má vontade (e nunca vi um ser humano
completamente isento de antipatias e não sou exceção!) para com aquele tipo e
tudo nele me desagradaria, ainda que ele exalasse sândalo em vez de almíscar
azedo...
Ela, garota linda (como meus olhos entendem a beleza
feminina).
Cheirava maravilhosamente bem, mas acho que meu nariz tem
predileção especial pelo aroma doce da progesterona, mesmo por debaixo daquela
camada de perfumes e cremes todos. Discutiam acidamente por alguma coisa e não,
não estou orgulhoso por, mesmo sem querer, ter ouvido sorrateiramente conversa
alheia.
Azar.
Casal discutindo todo lugar tem. E se a eles não ocorre lavar a
droga da roupa suja em casa, problema deles caso orelhas
involuntariamente curiosas estejam ali, ávidas por perscrutar os detalhes do
entrevero.
Mas minha bisbilhotice não foi completamente saciada.
Chegaram ali já no ápice da questão, naquele momento tenso em que
em muitos casos a coisa já culminou para as vias de fato.
Mas era uma briga de casal e jamais me ocorreria que a coisa
pudesse descambar (em se tratando de uma rixa homem – mulher) para a violência
física. Mas o sujeito gritou com a garota um “vai tomar no @#%! “ com tanta
fúria na voz, que tive um súbito mal estar. “Que diabos esse cara tem?
Está drogado?”
Mulheres são criaturas deliciosas e enervantes, isso é certo.
Por vezes, tanto mais deliciosas quanto mais enervantes. Posso listar dúzia e meia de ocasiões, e só no ultimo semestre, em que uma ou outra
mulher, nas muitas instâncias da minha vida, me tirou do sério. Mas nada, nada
mesmo justifica uma atitude de violência, mesmo moral ou vocal, de um homem
contra uma mulher.
Não da parte de um homem de verdade.
E isso pode até ser um chauvinismo tolo da minha parte, mas senti
ânsias de partir pra pancada com o sujeito e com certeza o faria, se ele
tivesse tocado naquela garota, que fosse lá namorada dele ou não, não lhe dava
direto de gritar aquela grosseria. E num shopping cheio de crianças!
Pensando nisso, me ocorre que é a segunda vez em menos de um
semestre, fico excitado com a possibilidade de me meter numa briga e levar uns
socos, o que talvez mostre preocupantes sinais de sentimentos de autodestruição
de minha parte. Mas é maçante ficar o tempo todo indagando das próprias
motivações como se a droga do mundo fosse uma extensão da droga do divã.
Azar(2)!
Olhei para os lados.
Nada de seguranças ou coisa semelhante. Certos profissionais têm o
dom de desaparecer de vista quando mais se precisa deles. Isso tudo aconteceu
no espaço de minutos, tempo insuficiente para se tomar decisões que poderiam
acabar na delegacia ou no hospital.
É só que tem horas que, ou se mete colher ou se encolhe como um covarde e depois vai pra um canto qualquer remoer um desagradável auto-desprezo.
Acho que ia me meter em confusão dos diabos.
E a coisa ia por aí...Eu já sentindo engulhos de partir pra
pancada com o sujeito, quando a menina levantou-se do banco, olhou-o com um olhar
triste e num meio sorriso disse com suavidade:
“Espero que você tenha câncer...”
E foi embora.
“Espero que você tenha câncer”!!!!
Jesus! Fiquei ali paralisado, sentado com aquele sujeito cheirando
a sabonete e murrinha! Nós dois com a boca aberta e olhos arregalados.
Quase quatro décadas de vida e nunca vi ninguém desejar semelhante
coisa a alguém. Nunca vi ninguém sentir um ódio tão profundo por alguém a ponto
de desejar-lhe que tenha câncer. Ah...Em outra situação, teria rido do tal
sujeito, pois era um tipo estúpido que bem merecia um insulto, mas enquanto ele
se afastava com a cabeça baixa (talvez digerindo aquelas palavras ditas com
gelo na voz), senti dele uma inveja enorme.
É fato, o cara era um FDP², mas o era
de tal modo, que conseguia inspirar naquela moça bonita o ódio mais
maravilhosamente autêntico que já vi alguém expressar.
E ódio autêntico é certamente muito mais doce de ser usufruído do
que um amor por vezes titubeante.
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