segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Os Whashaii e Meu Interesse por Física Quântica


No século IX antes de cristo, em um lugar ermo, próximo de onde é hoje a Polinésia, existia uma tribo peculiar, os Whashaii (pronunciá-se "uuuaaakaii-e"), que em em sua linguá nativa significava "aqueles que caçam o sol".

Essa tribo, dentre seus muitos costumes peculiares, tinha uma forma de culto que envolvia a escolha de um ser humano para encarnar seu deus-menino, Huakthalah. 

Huakthalah era um deus-menino eternamente com 17 anos e como era necessário manter seu deus tanto ao alcance das orações quanto dos dedos, os Whashaii, que consideravam absurdo simbolizar em matéria morta um deus vivo, escolhiam uma vez a cada ano, um dos seus filhos com essa idade para encarnar seu deus.

Ao garoto que cabia essa honra eram atribuídos todos os benefícios da divindade, a saber, um templo, acólitos para o servirem, adoração, tratamento especial dado pelos acólitos que em tudo atendiam o deus-menino no que este necessitasse ou em seus caprichos mínimos.
Homens vinham em busca de seu conselho para a pesca e para a caça, agricultores o consultavam sobre a ocasião propícia para o plantio e a colheita, mulheres vinham acasalar com o deus menino como garantia de que seriam sempre férteis e que seus filhos seriam fortes.

O menino que fosse escolhido para por um ano ser o avatar do deus Huakthalah, recebia tudo o que seu coração desejasse, enquanto era a encarnação do deus e esse tratamento tinha um motivo:
Era uma compensação, porque ao término do ano solar dos Whashaii (que era de 383 dias), o deus menino completava a maioridade e necessitava ser substituído.

O problema, era que não havia um plano de aposentadoria para deuses depostos e ocorre que Huakthalah era o deus da fertilidade, da virilidade e da mudança, então, quando terminava seu ciclo de 383 dias como um deus, o garoto era levado, em uma grande cerimônia que envolvia a tribo inteira (com exceção dos garotos com menos de 18 anos), até a beira do mar.

Ali era castrado (e seus testículos e pênis eram depois cremados e as cinzas bebidas junto com vinho de banana por todos os homens) e morto com golpes de um remo cerimonial na nuca.

Os guerreiros levavam o corpo do deus morto até o mar, onde o entregavam às ondas.

Naquela noite havia uma grande festa na tribo e os homens dançavam em volta da fogueira, orgias aconteciam na luz das labaredas e nas cabanas, amedrontados os meninos de 16 pra 17 anos suavam de pavor, porque no dia seguinte, um deles seria um deus.

Se você procurar referências sobre os Whashaii e seus deus-menino Huakthalah no Google, não irá encontrar por dois motivos:

O primeiro é que a tribo é do século IX antes de cristo e não foi catalogada e se o foi, estava decadente, recebeu outro nome e nada se soube sobre seus costumes e seu deus.

O segundo e principal motivo, invalida o primeiro motivo e tudo o que foi dito até agora é o seguinte: Eu inventei essa história toda!

Nunca existiram Whashaii e menos ainda Hukthalah.

Inventei essa potocada em uma conversa divertida com uma namorada.
Foi mais ou menos assim. Eu estava fazendo graça e me gabando, daí ela:

(...)
-Que você pensa que é? Um deus?
...
-Que foi?
-Nada...
-Fala logo!
-Tá bom, mas prometa que não vai me interromper enquanto falo...
-Ai ai.. tá, fala,

-Eu não sou um deus, mas já fui um, em uma encarnação passada... Foi assim, no século IX antes de cristo..."

E lá me vieram na hora os Whashaii e Huakthalah na cabeça.
E dei tantos detalhes na coisa, que ela depois custou a acreditar que inventei tudo.
Foi só pra ter uma conversa interessante e diverti-la com o suposto da minha megalomania, porque eu nem acredito em reencarnação, mas em uma vida anterior teria sido um deus...

Semanas depois assisti a um documentário que falava de física quântica e universos alternativos.
Postulavam lá que cada vez que você escolhe seguir um caminho, cria-se outro universo, um em que você tomou o caminho que não escolheu neste.
E isso faz toda a diferença.
Claro, estou fazendo uma interpretação rasteira de uma teoria que mal compreendo.
Ainda estou tentando entender a teoria quântica e também o sedutor trabalho de Robert Lanza, mas se ele estivere certo e a consciência criar o universo (e não o oposto, como estamos acostumados a pensar), é possível que eu tenha criado um universo à parte, apenas por pensar nele - embora não seja esta a afirmação do Biocentrismo ou da física quântica, mas inferência minha- (deixa eu devanear, pô!), um em que centenas de meninos serão sumariamente emasculados e mortos. 
Condenei essa gente toda a uma morte cruel, só para distrair minha namorada.

É possível que algum palerma em universo anterior, tenha ferrado a nós todos, contando-nos como história para alguém, por um motivo ainda mais fútil...
E a gente chamando o cara de Criador...
Putz!

Por outro lado, de certa forma, é reconfortante pensar que em algum universo as coisas que deram errado para mim neste tenham dado certo.
Em algum desses universos aí, pode ser que eu esteja vivendo, livre do peso de tantas culpas carrego neste.
Todas as escolhas que eu não fiz e pelas quais lamento, é possível que não estjam mortas.
Se Lanza estiver certo (tomara que esteja) é possível que nada morra!

Claro, há, seguindo essa linha de raciocínio, universos em que estou pior, ou em que nem estou, mas ainda assim, consola meu coração pensar que no infinito ha universos em que eu tenha na alma a calma que não consegui neste e em outros eu tenha finalmente consumido o mundo em chamas e  destruído tudo, como frequentemente desejo fazer neste.

E me perdoem Lanza e os teóricos quânticos (cujos trabalhos mal comecei a conhecer e pelos quais sou fascinado), mas o genial Álvaro de Campos/Fernando Pessoa já no comecinho do século vinte esboçava os conceitos sobre os quais agora se debruçam.

Pois se vocês lerem as linhas abaixo e tiverem como eu um conhecimento mínimo sobre a teoria de universos alternativos da física quântica, compreenderam as similaridades. Leiam, porque eu vou dar um tempinho aqui e tentar consertar a lambança que fiz no universo dosWhashaii.
Não que eu me sinta culpado, é claro. Afinal, fui o deus deles. É minha prerrogativa divina ferrar com o universo deles ou consertá-lo, ao meu bel-prazer.

Na noite terrível, substância natural de todas as noites,  
Na noite de insônia, substância natural de todas as minhas noites,  

Relembro, velando em modorra incômoda,  
Relembro o que fiz e o que podia ter feito na vida.  
Relembro, e uma angústia  
Espalha-se por mim todo como um frio do corpo ou um medo.  
O irreparável do meu passado — esse é que é o cadáver!  
Todos os outros cadáveres pode ser que sejam ilusão.  
Todos os mortos pode ser que sejam vivos noutra parte.  
Todos os meus próprios momentos passados pode ser que existam algures,  
Na ilusão do espaço e do tempo,  
Na falsidade do decorrer. 
Mas o que eu não fui, o que eu não fiz, o que nem sequer sonhei;  

O que só agora vejo que deveria ter feito,  
O que só agora claramente vejo que deveria ter sido —  
Isso é que é morto para além de todos os Deuses,  
Isso — e foi afinal o melhor de mim — é que nem os Deuses fazem viver ... 
Se em certa altura  

Tivesse voltado para a esquerda em vez de para a direita;  
Se em certo momento  
Tivesse dito sim em vez de não, ou não em vez de sim;  
Se em certa conversa  
Tivesse tido as frases que só agora, no meio-sono, elaboro —  
Se tudo isso tivesse sido assim,  
Seria outro hoje, e talvez o universo inteiro  
Seria insensivelmente levado a ser outro também. 
Mas não virei para o lado irreparavelmente perdido,  

Não virei nem pensei em virar, e só agora o percebo;  
Mas não disse não ou não disse sim, e só agora vejo o que não disse;  
Mas as frases que faltou dizer nesse momento surgem-me todas,  
Claras, inevitáveis, naturais,  
A conversa fechada concludentemente,  
A matéria toda resolvida...  
Mas só agora o que nunca foi, nem será para trás, me dói. 
O que falhei deveras não tem sperança nenhuma  

Em sistema metafísico nenhum.  
Pode ser que para outro mundo eu possa levar o que sonhei,  
Mas poderei eu levar para outro mundo o que me esqueci de sonhar?  
Esses sim, os sonhos por haver, é que são o cadáver.  
Enterro-o no meu coração para sempre, para todo o tempo, para todos os universos, 
Nesta noite em que não durmo, e o sossego me cerca  

Como uma verdade de que não partilho,  
E lá fora o luar, como a esperança que não tenho, é invisível p'ra mim.




terça-feira, 17 de outubro de 2017

Eu sou de Esquerda!



Eu sou de esquerda.
Não tenho certeza se alguém nasce ou se torna politicamente desta ou daquela posição mas, o fato é que pela minha visão de mundo, pelo meu amor à pluralidade, pelas pautas que eu defendo eu SOU DE ESQUERDA.

E como pessoa de Esquerda, gosto que existam pensamentos diferentes, porque nas diferenças existe força e impulso para mudanças.

Algumas vezes, porém,por excesso de zelo pela diversidade fiz concessões demais e transformei em um dogma litúrgico a máxima atribuída a Voltaire: "Posso não concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo". É uma frase sedutora, que coaduna bem com meu instinto de pensar que todos os pensamentos tem lugar no mundo, mesmo os que não tenham a ver comigo. Mas é no silêncio dos bons, mais do que no barulho dos maus que certas ideias tomam escopo e vem à luz do dia, quando deveria ser abortada no escuro da noite.

Será que eu defenderia até a morte o direito de dizer de uma marcha nazista, fascista, homofóbica, racista, machista ou qualquer outra em que um segmento da sociedade usasse a liberdade de se exprimir para propalar seu falso senso de superioridade sob outros?

Como é que se pode permitir que alguém use do atributo da liberdade para atacar e negar o mesmo atributo a outrem?

A minha reflexão  hoje é que parece que o mundo subitamente desceu a um patamar de estupidez como ha muito não se vê.

Alguns dos meus amigos, gente que sempre respeitei  e aos quais sempre fiz questão de expor meu modo de pensar, encafifou de repente de jogar no lixo uns trinta pontos de QI e se converterem em "bolsomínions".

Para quem não está familiarizado com o termo, trata-se da adaptação do termo "mínion" (criaturas amarelas que seguem um tipo de vilão de desenho. Troço tosco!) para designar os admiradores do Jair Bolsonaro.

Sou de Esquerda e como tal, não ouso negar a ninguém a própria humanidade, logo Bolsonaro é um ser humano, mas um ser humano execrável.

Nem preciso gastar muitas linhas para falar de um tipo desses, que defende ideias machistas, racistas, homofóbicas, que diz que não estupraria um mulher porque ela" não merece"! (E se ele pensasse que ela merece?)

Jair Bolsonaro destrói a si mesmo cada vez que abre a boca abjeta para cuspir seu ódio pelo diferente, pela diversidade, enquanto se apropria de valores tradicionais como "família, tradição, pátria, Deus, propriedade."
Se não estivéssemos vivendo uma época de falta quase total de referências, duvido que conseguira cooptar muita gente pra sua causa.

Os "Haters" que se escondem nas sombras esperando oportunidade de vir vociferar contra o mundo eu até entendo aderirem a um tipo assim.
Não é de hoje que os bolsonaros da vida se valem desses sentimentos de inadequação de gente que sente que o mundo se tornou grande demais pra sua mesquinhês, para alçarem posições de poder.

Mas o fato triste, é que esse tipo está arrebanhando o pessoal que sempre ficou em cima do muro. Gente que se cansou das sucessivas decepções dos dito "esquerda" e aderem a um tipo cuja única qualidade conseguem apontar, é a de que é honesto (como não acredito em Verdades absolutas, deixo um ponto de interrogação onde eles poem ponto final.Será?)
E desde quando honestidade é atributo de que alguém possa se gabar?
Não é pressuposto de todo cidadão? Não é condição mínima para o convívio em sociedade?

Então como os outros políticos são desonestos eu dou uma guinada em direção a um canalha que glorifica torturadores, mas é supostamente honesto?
Beleza, você desceu do muro e isso é bom.
Mas eu acho que o lado que você escolheu não é o seu, tanto quanto não é o meu.

Eu estou no lado esquerdo do muro.
Sempre estive, como sempre estiveram aqueles que são minhas referências.
O problema é quando as pessoas que até ontem só liam linhas curtas em facebook vem de repente tentar me converter a idéias que eu já conhecia e combatia desde moleque, como se eu não soubesse diferenciar  partido político de posição ideológica.

Então a esquerda inventou a corrupção?
legal! não existe corrupção em nenhum país que seja de direita ou centro (athá!!)
"Vai ver como se vive em Cuba!"
Beleza. mas antes vou ver como se vive nas dezenas de países capitalistas pobres, começando pelo Brasil (que dizem ser rico, mas cadê essa riqueza toda?)
Aproveita você pra ir pros EUA. Trump vai te receber de braços abertos..

Kataguiri, Holiday, Frota, Nando Moura... (só citando os mais barulhentos e caricatos)
Essas são as pseudolideranças da Direita.
Gente que vai  pra porta de museu gritar porque acha que a arte ofende valores morais e religiosos (É pra isso que serve a arte afinal! Pra quebrar tabus, pra oxigenar pensamentos velhos!), gente que vai pra escolas pra intimidar professores para que esses não "esquerdizem" os alunos, e que gozou baldes com o golpe contra Dilma, mas que cruza os braços quando o Congresso livra a cara de Aécio e Temer!!

Apenas a aversão qualquer associação a esses tipos já me enchem de orgulho quando reafirmo a plena voz: Eu sou de Esquerda!

Por acreditar que o Estado deva servir ao povo e não se servir dele: Eu sou de Esquerda!
Por acreditar em um mundo mais solidário e justo: Eu sou de Esquerda!
Por ansiar por um mundo plural: Eu sou de Esquerda!
Por não acreditar em família patriarcal e heteronormativa: Eu sou de Esquerda!
Por apoiar a luta das mulheres, dos gays, dos negros, de todas as minorias que compõem a grande maioria da humanidade: Eu sou de Esquerda!
Por acreditar que o mundo é de todos e não pra uns: Eu sou de Esquerda!
Por acreditar que ser é mais importante do que ter: Eu sou de Esquerda!
Por acreditar que gente vale mais que números: Eu sou de Esquerda!

Nem sei ao certo como terminar esse texto, que começou apenas com um desejo de colocar minha voz lado a lado, em pé de igualdade (igualdade é pensamento de esquerda) com esses que de repente querem calar as vozes discordantes.

Pois bolsomínions e afins, podem bradar seu ódio quanto queiram, mas não esperem em resposta o silêncio de quem se acovarda em noite escura!

O lugar de quem é livre é na rua, na Ágora, ao sol de dia e sob a lua à noite!



terça-feira, 10 de outubro de 2017

É um convite pra dançar

(...)


Ahahahahahahahahahahaha!!!

Que...De que diabos está rindo afinal?

(De uma coisa que na verdade devia me fazer chorar, mas), porra, você está aí falando da sua preguiça de "amores impossíveis" e de gente que teima em vivê-los e estou pensando em quando vai perceber que ainda não entendeu o óbvio...

Me ilumine, então, ser superior... Não entendi o quê exatamente?


Eh...Simples. TODO AMOR É IMPOSSÍVEL!.

(...)

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Minha Dialética Tardia...




"A luta entre o velho e o novo, entre o que morre e o que nasce, entre o que é perene e o que evolui...
A luta dos contrários é,pois, o motor de toda a mudança."

Eu pensei que queimaria a mim mesmo na fogueira das minhas vaidades. Nunca soube de lenha mais adequada.

Isso seria um desejo mais realizável do que meu antigo anseio de ser uma lanterna para o mundo. Ou talvez apenas me tenha escapado o fato de que são desejos sinonimizados.

Mas, oh, clichês a parte, a chama ardeu alto, mas por tão pouco tempo que nem chegou a iluminar a mim mesmo ou a noite escura a minha volta. E eu cai de tão alto que já nem havia ossos na casca frágil que se rompeu de encontro as rochas..

De que é que poderia me envaidecer, eu, com a consciência aguda das minhas limitações físicas e metafisicas, estéticas e éticas, morais e acadêmicas e de outras ordens e desordens?

Eu olho para trás e vejo com antipatia e compaixão o garoto que fui há tão perdidos anos e para um pouco a frente, com temor do julgamento do velho que serei.

Paradoxalmente, sou ainda aquele garoto com ideias tão revolucionárias quanto efêmeras e também já aquele ancião repleto de cansaço e nostalgia que está há alguns outonos a frente, no horizonte do meu destino.

Há coisas inconfessáveis, que perturbam o suposto da minha maturidade, em numero similar aos constrangimentos antigos da minha meninice.

O entusiasmo sufocante por coisas que eu julgava tão apagadas em mim como a chama da minha vaidade fenecida me inquieta e tenho de me mexer.

De repente me brotam versos e trovas vindas de algum lugar, inspirada por estrelas em ascensão, quando minha alma já caiu no escuro de algum canto onde o mofo e bolor tirou-lhe o brilho..

Ah, melodrama do diabo!
Me sinto antigo e apaixonado por coisas novas, um dinossauro procurando sua versão .2 em smartphones...
Me sinto ridículo, com uns impulsos que brigam com meu desejo de imobilidade e sou ultrapassado até pela minha letargia.

Um corvo errante berra seu “Never more” e eu passo as horas tentando escrever e dar sentido à sujeira que seu pouso deixou no encosto da minha cadeira e na minha consciência...

Me releio em coisas esquecidas e lembradas, umas com ternura, outras com embaraço e rio de mim mesmo, em gargalhadas sufocadas pelo pensamento de que em alguns anos provavelmente estarei rindo deste Sahge/2017...


Talvez eu esteja mesmo é com receio de que a decadência não seja afinal tão romântica quanto a quer o meu niilismo...

Poema Breve 2


...Vê, o vento sopra, é sinal de que o céu se inquieta.
Observa-o agitar-se  no léu e deleite a sua alma.
Se bafeja nas velas da sua nau, significa que você será levado para lá,
Para os horizontes vermelhos em que deseja ardentemente se perder.

Se em direção contrária -  posto que o vento é belo porque é livre -
Então para aquela modorrenta calmaria sem ondas,
Você dirá adeus ao vento e horizontes prometidos e estará também livre,
Livre como o viajante sem estradas e como o pássaro aconchegado à gaiola
Livre do desejo de se perder.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Mea Culpa Entre Amigos (2, eu acho...)




Tá... Eu desisto.

Preciso estudar, mas minha capacidade de concentração foi pro ar, junto com meus pensamentos que surpreendi a vaguear pelo nada...

Tenho de compartilhar um ponto de vista e me lembro ao fazê-lo de um dito de uma professora minha que “à vista de um ponto, tudo é um ponto de vista”.

Do divórcio então...

Minha ex-esposa pensava que eu sou ateu, que tenho pouco ou nenhum respeito pelos valores da sociedade, que tenho ideias nada ortodoxas, que não faço nenhum sentido, que sou um filho-da-puta que não faz o mínimo esforço pra ser socialmente aceito e que acho que estou sempre certo.

Tudo verdade, é claro. Mas essa não foi exatamente a questão do divórcio. Eu tinha cá comigo as minhas queixas também. 
Afinal ela era humana, não é?

Deixemos minhas queixas de lado, porque do meu lado, não foram minhas queixas, mas minhas ideias.
Porque dentre as minhas ideias loucas está a de que você faz coisas doidas por amor e uma delas é não permitir que alguém que você ama (ou pelo menos, porque nutre algum amor fraterno, como era o caso) permaneça ao seu lado sendo infeliz por esse motivo, ou que alguém use o que chama de “amor” por você, como um tipo de chicote com o qual se auto-inflinge todo tipo de mazela. Daí talvez você tenha de expulsar o passarinho da gaiola (oh, que altruísta que eu sou..) e obriga-lo a voar, porque o carcereiro está tão preso quanto o detento.

Sei lá, mas tem papéis nos quais simplesmente não vou aceitar nunca que me coloquem.

“Criatura, escolha ser livre! Escolha encontrar o melhor de você mesma! ”

Esse tipo de pensamento é assustador, pra maioria, mas eu meio que tinha de ser fiel à minha tendência a queimar e reluzir e reduzir a cinzas as prisões interiores de todos a minha volta, como convém a um bom Sagitariano com ascendente em Áries.

Além do mais, inquietar é preciso, viver não é preciso.

Porra, Sagitário com ascendente em Áries!! 
O que esperam de alguém com dois signos do fogo?!
São os dois signos mais donos da verdade que existem!
Se a gente fode a coisa toda no processo, é mero detalhe, eu acho...
Fogo total nas minhas ideias e nos meus impulsos! Oras, vai lá e pede pro sol brilhar menos ou ser menos quente....

Como podem ver, não era fácil viver comigo. Talvez eu devesse estar feliz, por não ter sido vítima de um crime passional, porque motivos para tanto, talvez eu até tenha dado...

A questão não é essa. Ninguém casa sozinho e ninguém divorcia sozinho. Eu apenas acho que toda história tem dois lados e aqui eu me esforcei, penso, para contar apenas o lado da minha ex-esposa..

Nem era sobre divórcio esse post.

Era sobre como as coisas podem melhorar, se você permitir que melhorem. Há pássaros que amam gaiolas e isso é coisa que não me entra na cabeça. E olha que eu sou a pessoa com idéias doidas!
Idade pode ser uma coisa ótima, caso você não tenha síndrome de Peter Pan, e a bem da verdade, eu tive certamente boas influências externas e internas para operar mudanças necessárias e colocar um pouco de saudável Caos no bolor estagnado que eu chamava de “ordem”.

Uma coisa boa em ser ateísta, é a certeza de que você só dispões de uma vida. Uma única em que que fazer as coisas valerem a pena. Não, não falo de hedonismo, falo de coisas reais, que não se perdem tão fácil quanto um orgasmo ou a sensação boa de comprar algo caro ou obter um deleite frugal.
A vida é boa.

 E eu espero que seja boa pra todo mundo que já cruzou meu caminho, caminhou comigo por um tempo e depois seguiu o próprio (claro, desde que esses queiram que seja, porque se não quiserem, eu não entendo, mas lhes reconheço o direito de se ferrarem. Que se vai fazer...)


Só isso já é motivo o bastante pra sair pro sol...


PS: Acho que avisei que sou um filho-da-puta que acha que está sempre certo, né?

quarta-feira, 28 de junho de 2017

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Escolha a vida...





"Escolha a vida".

"Escolha a vida" era um slogan de uma campanha anti-droga dos anos 80...

Só que nós adicionamos coisas.
Eu diria, por exemplo:

Escolha...

...uma lingerie nova na esperança de reviver
uma relação morta.

Escolha bolsas caras.
Escolha sapatos de salto alto.
Lã, caxemira e seda para sentir que qualquer coisa te faz feliz.

Escolha um iPhone fabricado na China por
uma mulher que pulou de uma janela...

E coloque-o em sua bolsa feita
em uma fábrica que pode pegar fogo a qualquer momento.

Escolha Facebook, Twitter,
Snapchat, Instagram...

... e milhares de outras maneiras ridículas
de expor e oferecer sua vida a estranhos.

Escolha atualizar seu perfil.

Poste uma foto do que você comeu no café da manhã e diga ao mundo o que você vai ter para um almoço na esperança de que alguém se importe.

Olhe perfis de ex-namorados, procure paqueras antigas, desejando de que eles não tenham envelhecido tanto quanto você.

Escolha olhar as fotos de viagem de alguém, mas não olhe ninguém nos olhos...
Escolha postar um vídeo ao vivo de sua primeira masturbação, poste e partilhe tudo, até sua morte.

(Interação humana reduzida
a mera informação.)


Escolha 10 coisas que você não
sabia sobre celebridades.
Escolha ignorar tudo o que você não sabe sobre você...

Escolha gritar e reclamar sobre o barulho.


Escolha ouvir e contar piadas de estupro, racismo, pornografia de
vingança e pedofilia deprimente.

Escolha achar que nunca aconteceu o 11 de setembro e se aconteceu,escolha achar que foi causado pelos judeus.

Escolha um contrato de 10 horas e uma
viagem de 2 horas para o trabalho...

...E o que é pior, escolha a mesma merda para
os seus filhos!

E talvez você venha um dia a pensar que
fosse melhor nunca ter existido;
Edepois talvez possa relaxar e afogar a dor...
com uma dose desconhecida de uma droga desconhecida feita em uma cozinha desconhecida por um desconhecido.

Escolha promessas quebradas.
Escolha arrepende-se  de tudo.
Escolha culpar os outros...

Escolha nunca aprender com seus erros.

Escolha isso para ver a mesma porcaria de história se repetir.

Escolha apegar-se lentamente
à migalha que você pode conseguir em vez de lutar por aquilo
com o que você sonhou.

Escolha contentar-se com menos e com um sorriso no rosto,
escolha a decepção...

Escolha ignorar seus entes queridos, até você ver que, no futuro, um por um, todos desapareceram e quando eles se forem, um pedaço
de você morrerá com eles.

E não haverá nada mais de você que
Poderia te mostrar que você está vivo ou morto.

Escolha o seu futuro,
“Escolha a vida.”


                                                            (Adaptado do roteiro do filme  “Trainspotting2”)