segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Entropia em segunda feira de cinzas



Aponte a ponte que me leve a isso dai que se parece tanto comigo como eu queria ser, sobre o meu rio de pequenas decepções quotidianas e eu te seguirei até o começo do fim do mundo.

Mas eu vou seguir seu dedo e seu sexo e seu nexo, então não ponha as mãos nos bolsos antes que eu me ponha a andar para lá, para o ponto onde aponta ou me perderei entre as miudezas dos seus bolsos e da minha vida.

Eu vou mudar e vou me tornar mais parecido comigo e então não vou me reconhecer mais do que me reconhece você, quando olha o rosto estranho nesse espelho trincado.

Ainda cato rimas desconexas e moedas perdidas com que comprar um sorvete de limão ou compor um poema. Mas eu tento rimar com palavras que não rimam e o dia está frio para um sorvete.

E no refrão da minha consciência, "amor" ainda rima melhor com "Dor", mesmo porque não há calor, ardor ou muito sabor em um dia frio.
Ao menos, não pra o tipo de pessoa que você quer que eu seja, mas que eu teimo em não me tornar...


E para falar a verdade, já que estamos sozinhos aqui na multidão que se aperta neste inicio do fim do mundo, você meio que matou meus motivos para ter motivos e eu me deliciei, porque então tive motivos para ficar sentado no meu trono de autopiedade, e pude escrever por horas a fio esta carta que não te enviarei...


“… A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (…) Receio que não possa me explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso explicar uma porção de coisas, mas não posso explicar a mim mesma …” - Alice no País das Maravilhas

Fonte da imagem: http://nexus-wallpaper.com/wallpaper/abstract/digital-art-colorful-circles/

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