terça-feira, 23 de setembro de 2014

Filopoema- Ou uma constatação

...e o que me faz (fez)  permanecer desperto desse transe (trânsito) em vive um (o) mundo imerso em banalidades, foi (é) a consciência de que não há nada no mundo que seja irrelevante.

Ainda que mesmo as estrelas e os possíveis deuses acima delas sejam efêmeros...

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

We are from...


Mulheres (e derivativos) são de Vênus.
Homens (e adjacentes) são de Marte.
Já eu e minhas contradições somos de algum lugar em Plutão (que ora é planeta ora não é, mas segue girando indiferente as indiferenças alheias)

Como diabos viemos todos parar no quintal da terra?

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Aos Gatos que guerreavam em dança mortal no teto do mundo...



Enquanto eu durmo um sono-insone-entre-sonâmbulo, há gatos brigando por sobre o telhado, por sobre a cabeceira dos meus pesadelos.
E me perco raciocinando, tentado sondar o que só um delírio genuíno me revelaria.

Em algum lugar em Tikrit um sujeito sua frio e reza enquanto prende explosivos ao corpo.

Em algum lugar em Bangladesh alguém olha um copo vazio e se sente cheio de vazio enquanto enche o copo novamente.

Em algum lugar em Manaus alguém tentava apagar lembranças queimando fotografias antigas e agora tenta apagar as chamas com que tentava apagar as lembranças.
(vai ter cicatrizes para lembrá-lo de qundo tentou esquecer)

Em Porto Alegre alguém usa giz para riscar versos na parede de uma cela, porque lhe tiraram a caneta com que matou outro presidiário.

Em algum lugar a três ou trinta anos daqui, alguém mata mais um pouco da sua inocência olhando para uma tela onde algo indescritível se desenha.

Em Belo Horizonte, por sobre a cabeceira dos meus pesadelos gatos brigam num balé furioso de cio e violência.

Eu sonho com algo magnífico, mas é mais um fantasma furtivo do que eu não vou me lembrar amanhã.
Pensei de modo subliminar que haveria jeito supraliminar de ser um homem, mas já está dando tanto trabalho ser humano, que, sob pena de que me olhe novamente com esse seu olhar transparente, hoje vou me deixar escorregar para dentro do seu desgosto.

Desculpe, mas no balcão da padaria não tinha nem um pouco de Eternidade a venda (Eu perguntei. Juro!).
Perfeição também estava em falta, então contentei-me com bolinhos de avelã...

E não, não foi tentativa de suicídio.
Eu só me cortei para verificar se realmente eu era feito de gelo e de ouro, tal como me dizias, ainda que eu soubesse que não sou, porque me barbeio todos os dias e o rei Midas não era meu tetravô.

Acho que terei de sangrar, mas me esforçarei para não sujar os tapetes da sala e do mundo e da nossa vaidade.


Amanhã, quem sabe você deixe de desejar que eu fosse feito do mármore daquela estátua mergulhada em algum lugar do mar Egeu...?

Fonte da imagem:http://hqscreen.com/