sexta-feira, 29 de abril de 2011

E nunca se esqueça:



De mim...
Do mundo...
Do que há de errado ou certo em mim e no mundo...
Dos seus defeitos...
Da sua obstinada busca por perfeição...
De sua própria  dor...
Da sua paixão teimosa por sua dor...
Daquilo que te compõe...
Daquilo que te desconstrói...
De tudo o que quiseram te impor...
Daquilo que a que você mesmo se obrigou...
Daquilo que fizeram a você...
Daquilo que você fez com o que te fizeram...
Das decisões que você tomou...
Das decisões que você deixou de tomar...
Das viagens que você não fez...
Das oportunidades que você perdeu ou aproveitou...
Das pessoas que você não conheceu...
Das esquinas nas quais você não virou...
Dos risos compartilhados e das  lágrimas solitárias...
Das lembranças boas e das que te atormentam...
E de tudo o que viveu ou deixou que caísse no limbo,
nos momentos em que o medo da vida superou o medo da morte...
Lembre-se...
Você é livre...

É só uma questão de escolha...

Mas escolha com cuidado,
porque você é também  livre 
Para escolher ficar numa gaiola...

...

Balão Solto


Sonhe, porque é bom sonhar e em algumas noites Morpheus não cobra prendas.
Alargue o reino de sua imaginação e colha corações em ramalhete num campo cultivado de batatas...
Enfeite seus olhos com estrelas e coroe a sua cabeça com uma nebulosa, porque é vasta a alma que sonha, maior do que o poder dos deuses...

Sente-se nas nuvens e agite os pés sobre o vácuo. De lá, lance pedrinhas na superfície calma do lago do mundo quando dorme. Podem ser fugidios os sonhos felizes de tempos verdes. Podem ser intensos os pesadelos de noites abafadas. Suas pedrinhas hão de agitar meus devaneios noturnos em ondas suaves, em espirais do centro a margem...

Se estiver caminhando pelo ar, caso encontre Deus, diga a Ele ou a Ela, que eu não sei rezar e tampouco sou um tipo virtuoso, mas esforço-me para viver sem muitos arrependimentos. Acho que algumas vezes consigo.
E sou acordado pela quarta vez esta noite pelo pulsar de uma cidade que não dorme. Uma sirene berra em algum lugar e uma criança faz coro com seu choro. Cachorros vadios  entoam cânticos perdidos em alguma esquina e alguém esqueceu o rádio ligado.

 Há modos vários de enlouquecer ou se iluminar.
Alguns poderiam até mesmo romper a corrente que me ancora ao planeta.
Livre deste lastro, eu cairia para cima e perder-me-ia acima da ionosfera. Solto da minha forma flutuante, ele poderia cair na imensidão do céu. 
Seria espetáculo dos mais singulares; seis bilhões e uma alma gritando enquanto caem no céu em direções opostas.

Era assim que eu queria ser: 
Não tão firme, não tão certo do que não sei, nem tão fluido, moldando-me àquilo que não me contém , mas rarefeito, gasoso..Livre o bastante, para escapulir por entre as pequenas brechas do mundo...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Über...



Dizem que o que não mata fortalece. Se assim é, devo estar em vias de tornar-me finalmente um super-homem, porque ao término de um dia mais do que cansativo em muitos sentidos ( gostaria de poder hibernar como fazem os ursos, por semanas a fio e assim tirar férias de mim mesmo), não morri.

Mas antes que eu seja tomado por delírios de poder e saia por aí exibindo um "S" no peito, com ânsias de “salvar o mundo”, tenho de me lembrar de um desafio que me foi suspirado num sonho:

 “Talvez, Sahge, você  se imagine um tipo qualquer de profeta heróico, em missão divina, porém, antes que comece a sair por aí pregando a sua verdade a fim de mudar o mundo, eu te proponho um desafio menor. Ao invés de tentar mudar a humanidade, tarefa hercúlea cujos resultados podemos prever, te desafio a mudar UMA ÚNICA PESSOA! “

“...Certo. Reconheço que ainda assim, é um desafio inglório, porque você vai ter de lutar contra o desejo dessa pessoa em permanecer a mesma, em não mudar e, meu amigo, não há nada mais rebelde e difícil de domar do que uma alma humana. Então, eu te proponho que tente mudar a si mesmo. Faça-o se puder. Sei que sua vontade está de acordo com isso e que você vai colaborar com seus esforços...Não a humanidade, nem uma pessoa alheia a seu desejo, mas a si mesmo. Pode parecer paradoxal, mas se analisar a coisa com calma, vai perceber que te propus um desafio maior e mais difícil do que mudar a humanidade. Mude a SI MESMO e depois volte aqui, e haveremos de falar em mudar o mundo...”


Odeio esse tipo de sonho enigmático. Odeio me lembrar com detalhes desse tipo de sonho. E odeio ainda mais ter a minha vaidade messiânica questionada pela razoabilidade fria da minha razão ( um amigo chamou-me a atenção para a redundância de falar em "razoabilidade da razão" e eu concordo com ele. Isso ficou péssimo de se ler. Mas eu estava e estou pensando na Razão como algo a parte do indivíduo e independente de sua vontade, como se esta fosse uma entidade. Também não faria sentido falar em "loucura da Loucura". E paro por aqui, porque senão farei menos sentido ainda, o que eu acharia ótimo, mas não atenderia ao anseio linguísatico do meu amigo. Mea Culpa feita, Antonio...). Mas não posso simplesmente lançar meu superego monstruoso pela janela. Ele é pesado e pode acabar esmagando algum transeunte. E vai me culpar (como é de hábito) por uma morte inocente.

Deixe estar...Já sinto culpa demais por aquilo que não fiz para acrescentar mais esta carga em meus super-ombros, que já carregam o peso do planeta ao cubo! Permitam-me exagerar no dia de hoje, porque um homem que carrega a consciência da própria estupidez é o homem mais sobrecarregado do mundo... Talvez eu não esteja mais forte, mas pelo menos também não estou morto.

domingo, 10 de abril de 2011

Lembre-se


Desinvente
A coisa que criaram com os estilhaços de seus sonhos...
Isso pode ser tudo e nada, mas não é você.
De modo algum isto é você...
Acalme-se,
Contratos de compra e venda de alma não tem valor legal.
Você ainda é livre.

Oscile, porque toda a certeza é apenas a soma
Da estupidez daqueles que almejam a falsa segurança.
Entre na fila da ordem, pegue um número,
E aguarde a sua vez de fingir ser feliz...
Ou evolua no caos,
Onde borbulha e transborda uma existência de significado...

E quando estiver olhando para o abismo do nada,
E seu coração fraquejar sob o peso do medo,
Quando chorar na solidão e ninguém te ouvir
Lembre-se...

Que o abismo é grande, mas cabe num buraco de fechadura
Que é menor do que o seu olho.
Que o vazio não é maior
Do que a sua consciencia que o abarca,
E que sonhos enferrujam, se deixados na chuva.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Anseio, Arte e dom inato... - By Sahge

 


Eu me lembro de uma definição singular que uma amiga usa para definir a inquietação: Para cada solução eu arrumo um problema. Difícil pensar em qualquer outra coisa que descreva com maior primor esse estado constante de agitação, como se eu fosse uma fábrica de três turnos a produzir o caos, e sem mercado consumidor para escoar a produção. Talvez eu acabasse criando algo que fosse útil a alguém, caso me dispusesse a fazer com meu tempo, mais do que conjecturar o absurdo, dessacralizar o  divino, perscrutar aquilo que é irrelevante...

Era mais fácil quando me imaginava um tipo qualquer de artista, porque eu pensava que quando o homem é privado, por algum motivo, daquilo que o distancia da natureza, a saber, o trabalho, retorna a este mesmo estado de natureza, desprovido de sua humanidade. Mas enquanto o trabalho, tal qual o concebemos nos alça da condição de humanos para máquinas por seu utilitarismo (uma preocupante inversão da evolução que deixa de ser natural e passa a ser cultural), a arte nos liberta... E eu gostava de me imaginar livre.

Ela é a mais refinada forma de trabalho e a única que é plena em seu significado, pois sua finalidade e seu  simbolismo estão contidos não num resultado ou num lucro, mas  naquilo a que se propõe: a própria arte.

Num livro sobre Psicologia Existencial (A Negação da Morte, por sinal, excelente livro!), li que "artista, é um neurótico capaz de criar". Que seja. Na falta de uma definição que não seja dada pela própria arte, esta me parece tão boa quanto qualquer outra, e como o normal é ser "razoavelmente neurótico", eu diria que artista é um ser humano capaz de criar. Quer me parecer que esse dom oscila de vez em quando em momentos em que curiosamente a inspiração é muita, mas a capacidade para traduzir essa força em versos, música, pintura ou outra forma de arte se acha ausente. E eu tento me resignar a isso e contornar esse anseio por criar no nada, porque gente muito melhor do que eu sucumbiu por excesso de humanidade. E é exatamente isso que é a inquietação, que nos fez descer das árvores ou abandonar o Éden: O arbítrio da  nossa humanidade.

Esta noite, na aula de Psicologia Humanista (contra a qual não me é possível  deixar de fazer muitas ressalvas), falávamos sobre potencial e talentos inatos. Parece-me que podemos acabar chegando a conclusão de que muitas pessoas podem até desenvolver um grande talento em muitas áreas, mas algumas demonstram um dom maior para outras atividades. Enquanto rabiscava um poema ( que como outros tantos provavelmente ficará inacabado) , fiquei tentando descobrir o meu, já que parece que minha arte, que talvez não fosse algo de extraordinário, mas que me deixava amplamente satisfeito, resolveu desaparecer como se eu tivesse me tornado cego para tudo que não fosse o absurdo do mundo.

...
Talvez amanhã eu possa fazer melhor (um anseio que talvez me tire o sono, talvez me adormeça), mas hoje, foi tudo o que consegui espremer do meu espírito. Tenho de ser menos exigente.


...Sentir o invisível além dos sentidos e se angustiar além do razoável...Mas que droga de super-poder!
.

domingo, 3 de abril de 2011

Duas Razões...By Sahge

Uma para felicidade!!

Ozzy Osbourne no Mineirinho dia 09 de abril de 2011



Bem no quintal de casa...EU VOU!!!!!!!!!!!!!!!!! :)




E duas para tristeza...

V Encontro Americano de Psicanálise de Orientação Lacaniana - enapol




...e 7º CONPSI



 Longe de casa e durante o semestre letivo....EU NÃO POSSO IR..... :(