sexta-feira, 22 de maio de 2015

Inércia



A terra deu umas voltas em torno de si, desde a ultima vez em que me senti confortável para escrever o que quer que seja, e meu estômago deu voltas em número idêntico quando por fim me atrevi a sair da minha letargia moral. 

Mas depois de passado um tempo razoável numa posição só, até o mais preguiçoso dos sujeitos vai querer se mexer, mesmo que seja apenas para eliminar as cãibras resultantes de se estar no conforto da inércia por tempo demais...

Eu escrevi um monte nas ultimas horas...

Lixo...
Apenas lixo. 
Entusiasmante, sincero e ainda assim, lixo..

Reconheço o monte de tralha que escrevo quando releio e percebo que lá vou eu, tentando, tateando, ensejando escrever sobre coisas que não compreendo. Isso é fácil notar pelo tom abjetamente humilde com que eu me desculpo linha a linha, pela minha incapacidade de entender aquilo sobre o que tento escrever. 

Escrever sobre as mulheres, sobre o amor, sobre o sexo, sobre a vida, sobre a morte, sobre a necessidade de se crer, escrever, entender...

Burrice pouca é bobagem, Luiz.


Você realmente necessita de atestar tão frequentemente a sua tolice?


O problema se dá justamente por ser sempre mais atraente escrever sobre o que não entendo do que sobre o que entendo penso entender.

Mas o suposto do meu entendimento sobre as coisas já não me conforta o suficiente para que eu suporte as cãibras quieto no meu canto.

Algumas vezes remexo em problemas  antigos, apenas para evitar o impulso a novos problemas, porque o bolor e mofo se acumularam por aqui de tal forma, que já até os sinto como uma coberta quentinha a proteger-me contra o inverno da alma e do frio-outono-cinza-miserável que igualmente cobre essa BH por entre as gerais...