quinta-feira, 27 de abril de 2017

Diário de Bordo 27/04/2017 (Lá e de volta outra vez...)

Uma curiosidade sobre férias:
Ansiedade para que elas cheguem, ansiedade para que elas terminem.
Qualquer coisa que se estenda por dias a fim, torna-se invariavelmente rotina e "nada é mais intolerável do que uma sucessão de belos dias".

Uma coisa sobre a comida mineira: Ela é pavorosa! Opinião desse mineiro que vos digita.

Tudo na comida mineira parece borbulhar em gordura animal e o exagero na fartura com que se come e se bebe em Minas, me deixa nauseado, resultado, penso, de minha educação excessivamente frugal.
Eram tempos duros, os anos 80 e receio que eu tenha aprendido bem demais uma etiqueta na qual me aferro, com consequências graves para a minha capacidade de deglutir o sem fim de comida as pessoas parecem querer que eu coma.

E, oh, deuses inexistentes, esse povo bem poderia acabar com essa besteira de "desfeita" e entender que nem todo mundo é todo mundo e nem todo mundo tem um buraco negro abaixo do esôfago.

Quando retornar ao trabalho, sentirei falta desses dias de ócio, tal qual agora sinto falta do trabalho.
...
Mentira! Não sinto falta do trabalho. Sinto falta é do isolamento que se experimenta nas grandes cidades, de poder desaparecer em uma multidão de anônimos, da diversidade, das meninas de cabelos azuis, casais de gays andando de mãos dadas, das tribos estranhas e maravilhosas que pululam em BH.
 Os dias são muito vagarosos nessas cidades por onde tenho passado, uma sensação de paralisia no tempo sufocante e ao mesmo tempo em que todas as pessoas por quem passo me cumprimentam como se me conhecessem (sem me conhecerem, mas na duvida, me cumprimentando do mesmo modo), sinto falta de ser invisível, porque quando todo mundo olha pra você, na verdade ninguem está te vendo realmente.

Acho que estou cansado de ser um ser social e com desejo de voltar a ser eu mesmo, um ermitão sutil.

São 10:42 horas deste lado de cá das infinitas Gerais...





domingo, 9 de abril de 2017

Diário de bordo 09/04/2017




Passados tanto tempo e tantos hiatos entre escrever ou fitar o vazio, impressiona-me não ter muito o que dividir senão esta constante estupefação ante a antiguidade das coisas novas.

Comprei passagens para viajar ao norte do estado e por uns dias serei um estranho em uma terra estranha, tal como o sou em casa e no espelho, mas desta feita, em ruas que não conheço e prédios e pessoas de fachada alienígena.

É um mundo muito grande pra uma vida tão curta.
Finalmente consigo me enxergar como uma pessoa minimamente inteligente, posto que após quebrar o corpo contra as rochas repetidas vezes, convenci-me afinal de que não possuo asas.

Uma singularidade, entretanto, permaneço de pé à praia a observar meus confrades humanos a saltar vez após vez daqueles penhascos, agitando os braços desordenadamente, talvez a sonhar que naquele voo breve até as rochas, possam se metamorfosear em qualquer coisa que não corpos a cair...

Algo em meu intimo se agita em grito mudo e eu me obrigo a um silêncio que me custa, tal como me custa reconhecer que cabe a cada um a sua queda e o seu aprendizado particular em direção ao que seja seu esclarecimento.