quinta-feira, 11 de abril de 2013

Da Minha Quase-Embriaguês




...parto do pressuposto (na verdade uma tentativa talvez ineficaz de pensar honestamente) que falo sobre mim e somente sobre mim - porque o mundo é o que percebo e simbolizo dele, mas o que percebo e simbolizo do mundo não é de fato, e talvez, o que é o mundo, mas tampouco é o que qualquer um percebe e simboliza dele - quando penso que nós somos meros satélites em órbita da suposição do que pensamos ser.

Excessivamente sensorial -  talvez seja uma fase lunar ou hormonal ou existencial - tenho de pensar também sensorialmente e duvidar, como o faria um bêbado que não se permitiu embriagar completamente e que preserva um laivo de consciência a lutar contra a embriagues, do que vejo, do que ouço, do que falo (e sobretudo do que falo) e também do que penso, porque sinto que pensamento é sensação tanto quanto penso que sensação é uma forma rudimentar de pensamento.

É o dia em que percebi, dentre um desfile horrível de percepções sempre tardias, que os meus olhos são, não o espelho de uma alma, mas um par de lentes distorcidas que, para fora olham microscopicamente (coando mosquitos e engolindo camelos) e para dentro perscrutam o abismo telescopicamente.
O inferno saúda-me de qualquer direção em que olhar.

Acho que, na minha tendencia natural de só muito tardiamente perceber as coisas ( e chega a ser confortável  poder contar com uma estabilidade em um aspecto qualquer, ainda que seja num defeito), não entendi ainda que o mundo de fato acabou mesmo dia 21 de dezembro de 2012.

Alguém aí seria amável o bastante para me contar isso, já que ainda estou sóbrio o suficiente para honestamente duvidar dos meus sentidos?