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quarta-feira, 28 de junho de 2017
segunda-feira, 26 de junho de 2017
Escolha a vida...
"Escolha
a vida".
"Escolha
a vida" era um slogan de uma campanha anti-droga dos anos 80...
Só
que nós adicionamos coisas.
Eu
diria, por exemplo:
Escolha...
...uma
lingerie nova na esperança de reviver
uma
relação morta.
Escolha
bolsas caras.
Escolha
sapatos de salto alto.
Lã, caxemira e seda para sentir que qualquer coisa te faz feliz.
Escolha
um iPhone fabricado na China por
uma
mulher que pulou de uma janela...
E
coloque-o em sua bolsa feita
em
uma fábrica que pode pegar fogo a qualquer momento.
Escolha
Facebook, Twitter,
Snapchat,
Instagram...
...
e milhares de outras maneiras ridículas
de
expor e oferecer sua vida a estranhos.
Escolha
atualizar seu perfil.
Poste
uma foto do que você comeu no café da manhã e diga ao mundo o que você vai ter para
um almoço na esperança de que alguém se importe.
Olhe
perfis de ex-namorados, procure paqueras antigas, desejando de que eles não
tenham envelhecido tanto quanto você.
Escolha
olhar as fotos de viagem de alguém, mas não olhe ninguém nos olhos...
Escolha
postar um vídeo ao vivo de sua primeira masturbação, poste e partilhe tudo, até
sua morte.
(Interação
humana reduzida
a
mera informação.)
Escolha
10 coisas que você não
sabia
sobre celebridades.
Escolha
ignorar tudo o que você não sabe sobre você...
Escolha
gritar e reclamar sobre o barulho.
Escolha
ouvir e contar piadas de estupro, racismo, pornografia de
vingança
e pedofilia deprimente.
Escolha
achar que nunca aconteceu o 11 de setembro e se aconteceu,escolha achar que foi
causado pelos judeus.
Escolha
um contrato de 10 horas e uma
viagem
de 2 horas para o trabalho...
...E
o que é pior, escolha a mesma merda para
os
seus filhos!
E
talvez você venha um dia a pensar que
Fosse
melhor nunca ter existido;
E depois talvez possa relaxar e afogar a dor...
E depois talvez possa relaxar e afogar a dor...
com
uma dose desconhecida de uma droga desconhecida feita em uma cozinha
desconhecida por um desconhecido.
Escolha
promessas quebradas.
Escolha
arrepende-se de tudo.
Escolha
culpar os outros...
Escolha
nunca aprender com
seus erros.
Escolha
isso para ver a mesma porcaria de história se repetir.
Escolha
apegar-se lentamente
à
migalha que você pode conseguir em vez de lutar por aquilo
com
o que você sonhou.
Escolha
contentar-se com menos e com um sorriso no rosto,
escolha
a decepção...
Escolha
ignorar seus entes queridos, até você ver que, no futuro, um por um, todos
desapareceram e quando eles se forem, um pedaço
de
você morrerá com eles.
E
não haverá nada mais de você que
Poderia
te mostrar que você está vivo ou morto.
Escolha
o seu futuro,
“Escolha
a vida.”
(Adaptado do roteiro do filme “Trainspotting2”)
sexta-feira, 2 de junho de 2017
Eu inverno no outono enquanto desejo fugir
Minha visão monocromatizou em cinza essas manhãs de maio e minha percepção esticou as noites e encolheu os dias...
Mas que tem isso? Tudo se encolhe, se recolhe, pássaros ficam mudos nos ninhos, estrelas aparecem frias por entre as brechas do cinza das nuvens e eu sonho com o Atacama.
É inverno até no inferno.
Sorri quando me lembrei de quantas vezes tive de tirar minha dor do caminho do seu sorriso, antes de pegar uma autoestrada qualquer na qual eu pudesse final e irremediavelmente cair fora do mundo e para dentro de mim, mas hoje...
Me cansa esse desejo constante por decadência e meu niilismo dá lugar a um profundo anseio por sol, vento, e caminhos abertos.
Me cansa estar sempre em fuga, sentado no mesmo lugar de onde tudo em mim grita para sair...
Mas a casa está confortável e quente e eu nutro um autodesprezo doloroso por estar igualmente confortável, olhando pela janela o infinito do mundo em desafio.
Talvez você saiba quem sou eu, mais do que sabem minhas dúvidas, meus únicos pontos de referência na constante interrogação de mim mesmo...
E eu penso em você...
Penso em você até quando penso estar pensando em outra coisa.
Penso nos lugares alienígenas e maravilhosos por onde esteve e por onde sua presença igualmente alienígena e maravilhosa deixou e guardou marcas e me sinto encolher em febre...
Pois me dói pensar que é mais provável que assim como eu, você esteja olhando por alguma janela de algum lugar, desejando que seu corpo possa correr pelo mundo, junto à sua alma fugitiva.
Talvez haja sol aí,neste seu lado da realidade e talvez você cante com minha voz alguma canção que soe subitamente estranha e triste..
Porque eu sei que você me acha estranho e triste e eu fico intrigado do motivo de eu gostar tanto do seu engano de pensar que eu sou uma única coisa.
quinta-feira, 27 de abril de 2017
Diário de Bordo 27/04/2017 (Lá e de volta outra vez...)
Uma curiosidade sobre férias:
Ansiedade para que elas cheguem, ansiedade para que elas terminem.
Qualquer coisa que se estenda por dias a fim, torna-se invariavelmente rotina e "nada é mais intolerável do que uma sucessão de belos dias".
Uma coisa sobre a comida mineira: Ela é pavorosa! Opinião desse mineiro que vos digita.
Tudo na comida mineira parece borbulhar em gordura animal e o exagero na fartura com que se come e se bebe em Minas, me deixa nauseado, resultado, penso, de minha educação excessivamente frugal.
Eram tempos duros, os anos 80 e receio que eu tenha aprendido bem demais uma etiqueta na qual me aferro, com consequências graves para a minha capacidade de deglutir o sem fim de comida as pessoas parecem querer que eu coma.
E, oh, deuses inexistentes, esse povo bem poderia acabar com essa besteira de "desfeita" e entender que nem todo mundo é todo mundo e nem todo mundo tem um buraco negro abaixo do esôfago.
Quando retornar ao trabalho, sentirei falta desses dias de ócio, tal qual agora sinto falta do trabalho.
...
Mentira! Não sinto falta do trabalho. Sinto falta é do isolamento que se experimenta nas grandes cidades, de poder desaparecer em uma multidão de anônimos, da diversidade, das meninas de cabelos azuis, casais de gays andando de mãos dadas, das tribos estranhas e maravilhosas que pululam em BH.
Os dias são muito vagarosos nessas cidades por onde tenho passado, uma sensação de paralisia no tempo sufocante e ao mesmo tempo em que todas as pessoas por quem passo me cumprimentam como se me conhecessem (sem me conhecerem, mas na duvida, me cumprimentando do mesmo modo), sinto falta de ser invisível, porque quando todo mundo olha pra você, na verdade ninguem está te vendo realmente.
Acho que estou cansado de ser um ser social e com desejo de voltar a ser eu mesmo, um ermitão sutil.
São 10:42 horas deste lado de cá das infinitas Gerais...
Ansiedade para que elas cheguem, ansiedade para que elas terminem.
Qualquer coisa que se estenda por dias a fim, torna-se invariavelmente rotina e "nada é mais intolerável do que uma sucessão de belos dias".
Uma coisa sobre a comida mineira: Ela é pavorosa! Opinião desse mineiro que vos digita.
Tudo na comida mineira parece borbulhar em gordura animal e o exagero na fartura com que se come e se bebe em Minas, me deixa nauseado, resultado, penso, de minha educação excessivamente frugal.
Eram tempos duros, os anos 80 e receio que eu tenha aprendido bem demais uma etiqueta na qual me aferro, com consequências graves para a minha capacidade de deglutir o sem fim de comida as pessoas parecem querer que eu coma.
E, oh, deuses inexistentes, esse povo bem poderia acabar com essa besteira de "desfeita" e entender que nem todo mundo é todo mundo e nem todo mundo tem um buraco negro abaixo do esôfago.
Quando retornar ao trabalho, sentirei falta desses dias de ócio, tal qual agora sinto falta do trabalho.
...
Mentira! Não sinto falta do trabalho. Sinto falta é do isolamento que se experimenta nas grandes cidades, de poder desaparecer em uma multidão de anônimos, da diversidade, das meninas de cabelos azuis, casais de gays andando de mãos dadas, das tribos estranhas e maravilhosas que pululam em BH.
Os dias são muito vagarosos nessas cidades por onde tenho passado, uma sensação de paralisia no tempo sufocante e ao mesmo tempo em que todas as pessoas por quem passo me cumprimentam como se me conhecessem (sem me conhecerem, mas na duvida, me cumprimentando do mesmo modo), sinto falta de ser invisível, porque quando todo mundo olha pra você, na verdade ninguem está te vendo realmente.
Acho que estou cansado de ser um ser social e com desejo de voltar a ser eu mesmo, um ermitão sutil.
São 10:42 horas deste lado de cá das infinitas Gerais...
domingo, 9 de abril de 2017
Diário de bordo 09/04/2017
Passados tanto tempo e tantos hiatos entre escrever ou
fitar o vazio, impressiona-me não ter muito o que dividir senão esta constante
estupefação ante a antiguidade das coisas novas.
Comprei passagens para viajar ao norte do estado e por uns
dias serei um estranho em uma terra estranha, tal como o sou em casa e no
espelho, mas desta feita, em ruas que não conheço e prédios e pessoas de
fachada alienígena.
É um mundo muito grande pra uma vida tão curta.
Finalmente consigo me enxergar como uma pessoa minimamente
inteligente, posto que após quebrar o corpo contra as rochas repetidas vezes,
convenci-me afinal de que não possuo asas.
Uma singularidade, entretanto, permaneço de pé à praia a
observar meus confrades humanos a saltar vez após vez daqueles penhascos,
agitando os braços desordenadamente, talvez a sonhar que naquele voo breve até
as rochas, possam se metamorfosear em qualquer coisa que não corpos a cair...
Algo em meu intimo se agita em grito mudo e eu me obrigo a
um silêncio que me custa, tal como me custa reconhecer que cabe a cada um a sua
queda e o seu aprendizado particular em direção ao que seja seu esclarecimento.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Sobre vitaminas que não tomo e noites que não durmo...
Me afogo...
E, no entanto, não ouso descansar os braços enquanto nado
nesse abismo de água repleto de monstros que sussurram meu nome na escuridão.
Ainda sou o embaixador de mim mesmo, mas não faço proclamas
porque ainda não acredito no meu produto. Uma buzina soa, alguém dobra os
joelhos e grita aleluias e eu olho irritado o inicio do apocalipse, porque o
mundo vai acabar ainda não acabei de ler um livro que ganhei de aniversário..
Um sonho mau... Apenas isso.
E então fico aqui,inerte por um tempo...
Eu me espreguiço de tédio nesse escuro porque terror é coisa
que compreendo tão bem quanto as letras miúdas em frascos de vitaminas que meus
olhos não conseguem mais ler sem óculos e meu esquecimento não dá conta de engulir.
E a droga é que nem tenho óculos, mas tenho uma memória
elefantina...
Talvez eu devesse ter óculos...
Talvez eu devesse ter anseios, desejos de felicidade e amor,
mas sempre que penso nisso, me sinto tolo, como alguém que teima em tirar água
com que se afogar em um poço que já secou há muito tempo...
Até sinto um pouco de medo, mas não o compreendo...
Em um mundo de sensações, fico imaginando se alguém
compreende ou mesmo se alguém se importa em compreender algo, além de sentir.
E é através dessa vida vítrea que meio trôpego, me levanto
no escuro, me desvio de um ou outro fantasma lamentoso e praguejo contra o pé
da mesa no qual dou topadas no escuro.
Queria não ter bexiga, vizinhos barulhentos e sonhos
perturbadores e talvez não precisasse me levantar tantas vezes durante a noite.
Oh, deus do céu! De repente tenho 43 anos e nem sinal do
rosto grave, absolutamente masculino, olhar duro e vida segura que em minha infância
sonhava que estaria me olhando de volta neste espelho.
Um corpo lânguido, uma alma febril e um sentimento de virar
a esquina da vida a qualquer tempo. Alguma coisa deu errada na minha, mas faço
balancetes diários e ainda assim não fecho a conta, mas fecho o armário do
banheiro e la está a cara de garoto cansado me olhando...
Uma semana sem fazer a barba e nem sinal de pelos
espinhentos que me completem o ar de decadência. Preciso checar o cartão de crédito,
o cheque especial, as notas da escola da minha filha e meus níveis de
testosterona.
Deus! Que hora ruim pra ser ateu! Eu poderia fazer como
fazem seus “filhos” e culpa-lo por tudo, dizer que é um dos seus “planos
misteriosos” e me consolar de alguma forma absurda e esotérica.
Ao invés disso
fico aqui, me culpando por tudo, até
pela vitória de Trump e a queda de todos os aviões e projetos de vida do mundo...
E porque diabos estou escovando os dentes as três da
madrugada?!
Cabelos brancos desde os dezesseis anos, então não posso me
vangloriar dessa névoa no topete como uma condecoração pelo tempo de vida e eu
nunca fui vaidoso, mas que merda! Se não posso ter um rosto bonito, ao menos não
poderia tê-lo um tantinho mais viril?
Olhos tristes e cansados, cansados também de se verem a cada
manhã e agora a cada madrugada nesse espelho salpicado de creme dental.
É insano!
Sempre tem alguma porcaria de cachorro latindo, rádio ligado
em algum lugar, gente gritando em um bar próximo e eu que deveria estar
dormindo, irritado como um autêntico velhinho mal humorado que fica reclamando
do barulho.
E pra falar a verdade, fico mais incomodado é com o silêncio
nesse lugar, parecido ao silêncio da selva, como se algo inacreditável e violento
estivesse pra acontecer.
Reminiscências de uma noite insone e insana...
Sinto vontade de fumar e novamente me lembro de que nunca
fumei e que detesto o cheiro de cigarros e que detesto estar detestando tudo o
tempo todo, mas que se dane isso!
Cada qual com seu talento, não é?
O meu é estar mal e detestar, eu acho.
A única coisa que parece que sou bom.
Tenho uma inclinação patológica pra estar mal..
Tenho um buraco onde deveria haver um estômago.
Uma fome de
tudo que paralisa meus sentidos.
Tenho cãibras nos braços e nos motivos,
Tenho preguiça até de ter preguiça e me movo de volta pra
cama fria em câmara lenta enquanto sobem as letras dos créditos finais de minha
vida.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Entropia em segunda feira de cinzas
Aponte a ponte que me leve
a isso dai que se parece tanto comigo como eu queria ser, sobre o meu rio de
pequenas decepções quotidianas e eu te seguirei até o começo do fim do mundo.
Mas eu vou seguir seu dedo
e seu sexo e seu nexo, então não ponha as mãos nos bolsos antes que eu me ponha
a andar para lá, para o ponto onde aponta ou me perderei entre as miudezas dos
seus bolsos e da minha vida.
Eu vou mudar e vou me
tornar mais parecido comigo e então não vou me reconhecer mais do que me
reconhece você, quando olha o rosto estranho nesse espelho trincado.
Ainda cato rimas
desconexas e moedas perdidas com que comprar um sorvete de limão ou compor um
poema. Mas eu tento rimar com palavras que não rimam e o dia está frio para um
sorvete.
E no refrão da minha
consciência, "amor" ainda rima melhor com "Dor", mesmo porque não há calor, ardor
ou muito sabor em um dia frio.
Ao menos, não pra o tipo de pessoa que você quer que eu seja, mas que eu teimo em não me tornar...
E para falar a verdade, já
que estamos sozinhos aqui na multidão que se aperta neste inicio do fim do
mundo, você meio que matou meus motivos para ter motivos e eu me deliciei,
porque então tive motivos para ficar sentado no meu trono de autopiedade, e
pude escrever por horas a fio esta carta que não te enviarei...
“… A senhora me desculpe, mas no momento não tenho muita
certeza. Quer dizer, eu sei quem eu era quando acordei hoje de manhã, mas já
mudei uma porção de vezes desde que isso aconteceu. (…) Receio que não possa me
explicar, Dona Lagarta, porque é justamente aí que está o problema. Posso
explicar uma porção de coisas, mas não posso explicar a mim mesma …” - Alice no
País das Maravilhas
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