domingo, 9 de abril de 2017

Diário de bordo 09/04/2017




Passados tanto tempo e tantos hiatos entre escrever ou fitar o vazio, impressiona-me não ter muito o que dividir senão esta constante estupefação ante a antiguidade das coisas novas.

Comprei passagens para viajar ao norte do estado e por uns dias serei um estranho em uma terra estranha, tal como o sou em casa e no espelho, mas desta feita, em ruas que não conheço e prédios e pessoas de fachada alienígena.

É um mundo muito grande pra uma vida tão curta.
Finalmente consigo me enxergar como uma pessoa minimamente inteligente, posto que após quebrar o corpo contra as rochas repetidas vezes, convenci-me afinal de que não possuo asas.

Uma singularidade, entretanto, permaneço de pé à praia a observar meus confrades humanos a saltar vez após vez daqueles penhascos, agitando os braços desordenadamente, talvez a sonhar que naquele voo breve até as rochas, possam se metamorfosear em qualquer coisa que não corpos a cair...

Algo em meu intimo se agita em grito mudo e eu me obrigo a um silêncio que me custa, tal como me custa reconhecer que cabe a cada um a sua queda e o seu aprendizado particular em direção ao que seja seu esclarecimento.

Um comentário:

  1. Interessante a comparação com a rochas e a bagunça toda. Aka estou lendo-te.

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