quarta-feira, 11 de março de 2015

O que Partilhar quando nada se tem além do desejo de partilhar...

Por semanas a fio tenho raspado o fundo do caldeirão de idéias a cata de algo que valha a pena compartilhar com o mundo.
Como se o "mundo" me lesse...(Oh vaidade! Dona Modéstia mandou lembranças!)

Por "mundo", leia-se um pequeno grupo de pessoas que me honra com alguns minutos de seu tempo e que gastam outro par destes minutos torcendo os neurônios enquanto os olhos escorregam pela confusão minha de cada dia.
Pra falar a verdade, eu me daria por bastante satisfeito se ao menos uma pessoa me lesse, mas que me lesse com a sensação de familiaridade com que leio algumas pessoas...

Só uma andorinha e eu teria o verão e outono e primavera e todos os invernos do céu.

Me ocorreu (eu ia escrever "ocorreu-me", mas já me disseram que tenho de vencer minha tendência à proclisação - e ao neologismo também, pelo jeito - ) postar umas poesias que forjei em tempos róseos, em momento de febre uns anos atrás e que postei num blog perdido na memória.
Tenho numa gaveta um montante razoável de versos atordoados...

O problema foi o calor que me subiu ao rosto ao lê-las e me lembrar dos sentimentos que mas motivaram o parto e dos quais eu sinto certo constrangimento ao lembrar...
Olha a minha infância de sentimentos me acenando ali da esquina!
É um saco ser a síntese de um menino medroso e um velho preocupado, quando o assunto são as coisas do coração.

Vou deixar essas "poesias" marinar um pouco mais numa gaveta antes de me atrever a olhar de novo o meu ridículo.
Até por que, cartas de amor não seriam ridículas se não fossem cartas de amor...
Ou o inverso disso, não sei dizer no que pensava o poeta...

Preciso envelhecer.
E preciso envelhecer logo!

Então, meus caros leitores incautos e amigos invisíveis, como não tenho o que partilhar hoje, além da minha perplexidade, me permitam partilhar o sentimento de estar perplexo por ainda ter a capacidade de estar perplexo.

São 16:49 agora

Um comentário:

  1. Você diz que é pouco modesto e eu que sou egocêntrica até dizer basta!?!? Geralmente me dou por satisfeita em poder escrever... mas também ando enfrentando um probleminha de não encontrar vontade para escrever... Vivo brigando com o Rafael defendendo a ideia de que "Tudo não é a Mesma Coisa", mas ultimamente parece que é... e ai a página vazia do blogger olha para mim e eu para ela e nós não nos comunicamos... eu fecho tudo e vou para a estante ler e comentar resenhas de livros dos blogueiros "parceiros"... alguns eu li... outros talvez leia... quem sabe?!?! Qualquer coisa, menos deixar meu cérebro sem ter o que fazer imediatamente.

    Sou totalmente a favor do post das poesias! Tenho um vergonhoso fraco por poesias atordoadas, pessoas atoadas, profissões atordoantes... o atordoamento em si tem qualquer coisa de fascinante, embora, eu deva admitir também é desconcertante.

    Mas, minha opinião não deveria ser levada em conta nesse tipo de escolha, eu mesma escondo bem meus próprios textos atordoados e morro cada vez que alguém (minha irmã geralmente) desenterra um deles em suas faxinas invasivas... Esse tipo de texto documenta o tipo de fragilidade que, eu desconfio, ninguém gosta de experimentar ou lembrar que experimentou. Porém, havemos de admitir, eles tem uma beleza difícil de encontrar no cotidiano e se tornam por isso encantadores.

    Enfim, na qualidade de leitora incauta e amiga invisível vou ficar aqui contemplando a sua perplexidade enquanto vivo a minha própria experiencia de está perplexa com a vida de forma geral.

    Cheros Sahge, são 12:10 agora!

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