terça-feira, 25 de março de 2014

...e Sou um Macaco Infinito...



...e tem até um esquema matemático (que eu não vou colocar aqui porque não sei escrever potencias numéricas nas postagens do blogger) para provar  argumentar que, um macaco digitando aleatoriamente numa máquina, caso tenha a sua disposição uma quantidade de tempo considerável (digamos a eternidade, para começar) forçosamente acabará por escrever toda a obra de Shakespeare. Na verdade, tendo a eternidade a sua disposição, este macaco infinito acabará por escrever eventual e aleatoriamente e sem querer (já que o caos não tem escolha a não ser produzir a ordem)  todos os escritos que já foram ou serão feitos em qualquer tempo.

Essa ultima inferência é minha...

Daí eu teimar em escrever o que quer que seja que deslize do meu cérebro (ou seja lá de que diabos de lugar, pâncreas, fígado ou alma, me venha em profusão essa glossolalia verborrágica) para os meus dedos calejados, ainda que ninguém vá ler ou não faça o menor sentido, nem mesmo para mim que digito essa droga toda.

Ainda ontem encontrei um pendrive cheio de textos e pseudopoemas que eu havia feito, mas que nem cheguei a postar. Passando os olhos brevemente por eles relembrei o porque de tê-los abortado: Eles me pareciam obra de alguém que pretende transmitir algo, alguém que enseja falar a quem quer que seja e uma voz a procura de ouvidos.

Natural que os abortasse e os renegasse sumariamente.

Eu só pretendo transmitir confusão.

Por que é só o que tenho.
E cada vez que escrevo qualquer droga que me pareça algo dito por alguém que está numa posição de quem sabe algo, então me sinto o maior idiota do mundo.

Sensação deveras repugnante, mas muito recorrente uma vez que para cada texto que posto aqui tem pelo menos outros três que ficarão no limbo.

Porque "você não sabe de nada Luiz" é mais do que a frase do meu epitáfio, é a expressão de uma verdade indigesta.

Vou continuar a digitar aleatoriamente, sem compromisso (pelo menos consciente) com a escrita ou com a concatenação das ideias.

Afinal, a sintaxe do caos é genuína apenas quando NÃO HÁ SINTAXE.

 E eu, caótico macaco infinito que talvez nem mesmo dure  o bastante para ler entre as minhas linhas algo que eu sinta valer a pena ter digitado, não vou desistir de escrever, mesmo porque eu nunca aprendi ambas as coisas; a escrever e a desistir.

Para a trágica condição do meu existir...